Os trabalhadores das empresas do Parque Industrial da Autoeuropa insistiram hoje que estão contra a revisão da lei laboral, considerando que nem as próprias administrações das empresas demonstram necessidade de a alterar.“Naquilo que nós temos vindo a falar com as administrações das empresas, elas próprias não demonstram qualquer necessidade alterar a legislação laboral, porque aquilo que têm hoje em dia serve perfeitamente os trabalhadores e as empresas”, disse à Lusa Daniel Bernardino, da Comissão Coordenadora das Comissões de Trabalhadores das Empresas do Parque Industrial da Autoeuropa.As declarações foram prestadas após reunião com a UGT, em Lisboa.Daniel Bernardino acrescentou que os próprios trabalhadores dizem que existe uma produtividade elevada no quadro legal atual.“Os próprios trabalhadores na Autoeuropa dizem que com as leis atuais existe produtividade. Não necessitamos das leis alteradas para continuarmos com a produtividade que já temos ao dia de hoje”, defendeu.O representante dos trabalhadores apontou que as empresas no parque industrial em Palmela contam com cerca de 10.000 trabalhadores e indicou que estes “estão organizados para continuarem com a luta contra o pacote laboral”.“Sabemos que isto iria diminuir os direitos que os trabalhadores têm ao dia de hoje e, para pior, já basta assim”, apontou.Daniel Bernardino disse que o objetivo da reunião, à semelhança do que já tinha acontecido com a CGTP, foi transmitir às centrais sindicais que os órgãos representativos dos trabalhadores continuam disponíveis para lutar contra o pacote laboral e que não vão desviar-se “um milímetro daquilo” do que tem sido feito nos últimos meses, incluindo na greve geral de 11 de dezembro.O secretário-geral da UGT, Mário Mourão, afirmou que a reunião foi positiva e considerou “importante transmitir toda a informação às estruturas dos trabalhadores da Autoeuropa” nesta fase das negociações da legislação laboral.Mário Mourão acrescentou que os próprios representantes dos trabalhadores foram à UGT “manifestar todo o apoio à estratégia” que a central sindical tem tido na negociação.A ministra do Trabalho disse na terça-feira que Governo e parceiros sociais estão "mais próximos do fim do que do princípio" na discussão das alterações à lei laboral, ainda que tenha recusado fixar um prazo para as negociações terminarem.O anteprojeto de reforma, chamado “Trabalho XXI”, foi apresentado pelo Governo de Luís Montenegro (PSD e CDS-PP) em 24 de julho de 2025 e a ministra do Trabalho já sinalizou a intenção de submeter a proposta de lei no parlamento, ainda que não se comprometa com uma data.As alterações propostas pelo Governo em julho mereceram um ‘não’ das centrais sindicais, que consideram as mudanças um ataque aos direitos dos trabalhadores.As confederações empresariais aplaudiram a reforma, ainda que digam que há espaço para melhorias.