O Boavista Futebol Clube enfrenta uma ameaça à sua continuidade face às dívidas acumuladas acima dos 100 milhões de euros. Apesar de ter sido feito um acordo para a redução do valor inicial, de 150 milhões, o emblema portuense viu, na semana passada, a decisão de encerramento até 31 de julho das atividades por falha nos pagamentos mensais, a rondar os 55 mil euros. No caso, a administradora de insolvência, Maria Clarisse Barros, vincou que não tinham sido cumpridos os pagamentos de junho e que “não havia expectativa” de que fossem honrados os depósitos necessários dos meses anteriores nem deste mês de julho. A decisão gerou uma enorme onda de solidariedade no Porto e a Câmara Municipal liderada por Pedro Duarte aprovou em reunião de Executivo, sabe o Diário de Notícias, uma moção que visa preservar o legado e as infraestruturas do Boavista. A coligação de PSD-CDS-PP e IL teve unanimidade na oposição também, com uma moção que garanta “um programa extraordinário de apoio destinado a assegurar a continuidade da prática desportiva dos atletas afetados pelo desaparecimento da atividade.” A grande meta passa por garantir que os mais de 1500 atletas que estão a competir tenham possibilidade de manter a prática desportiva e vai ao encontro, inclusivamente, das inscrições feitas nos campeonatos de formação de várias modalidades, como já aconteceu no futsal.Tanto o Chega como o PS tinham vincado a importância de preservar as infraestruturas e a reabilitação da zona desportiva. Sem se comprometer com obras para combater a degradação na zona envolvente, mencionando que está “em avaliação” o pedido, Pedro Duarte fez aprovar a “preservação do património desportivo do Bessa” e vincula-se à garantia de vir “a rejeitar qualquer modificação no Plano Diretor Municipal” que permita desvirtuar os fins da Zona Desportiva do Bessa, ou que lhe acrescente capacidade construtiva para além do que já está consagrado”, uma resposta clara à possível especulação imobiliário numa das zonas mais privilegiadas no Porto.A resposta do Executivo acontece depois de o Movimento Salvar o Boavista, criado por adeptos, simpatizantes e sócios, mas também com respaldo da própria direção, pelo que foi possível saber pelo DN, reunir a verba mensal necessária para o mês de julho, como forma de pressionar a que se possa manter a atividade do clube, apesar da decisão anterior da administração de insolvência. A direção de Rui Garrido Pereira entrou com um requerimento no tribunal para manter as portas do Estádio do Bessa abertas caso se reunissem as verbas. A prioridade, com apoio da Câmara Municipal do Porto, é salvaguardar pelo menos as modalidades da formação.O Boavista teve a liquidação aprovada em setembro de 2025, foi validado um perdão de parte da dívida e comprometeu-se a cobrir o défice da exploração desportiva. A Boavista SAD deveria disputar a II Liga na temporada 2025/26, mas não conseguiu inscrever-se nas provas organizadas pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional e viu depois negado o licenciamento para participar na Liga 3, tutelada pela Federação Portuguesa de Futebol. Ficou assim concluído o trajeto de 11 anos consecutivos na I Liga do campeão de 2000/01, que já fora despromovido no âmbito da Operação Apito Dourado. Rui Garrido Pereira criou uma equipa sénior, independente da SAD, igualmente com sede em Ramalde, face à interdição do Bessa, mas acabaria por abdicar de competir no quarto e último escalão da distrital. Só a refundação, tal como no caso do Salgueiros, parece ser a via de recuperação daí que o Panteras Negras Footballers Club tenha nascido. O clube constituído por sócios e adeptos do Boavista em 2025, crítico da direção atual e das anteriores, garantiu a subida à Divisão de Honra da AF Porto, o terceiro escalão da associação. Daí relevar a importância de o clube manter terrenos e infraestruturas para a eventual aposta de futuro. Seja qual for o Boavista que emerja desta situação..Boavista encerra atividade após falhar pagamento aos credores.Boavista chega a acordo com principal credor para salvar estádio.Apartamento, loja e lotes de garagem leiloados no âmbito da insolvência do Boavista