Boeing 737 Max
Boeing 737 Max(EPA / NTSB)

Boeing pagou quase 100 milhões de euros a famílias devido ao acidente de 2019

Fabricante norte-americana continua sob a lente dos tribunais, sete anos após o último desastre com avião 737 Max, que vitimou 157 pessoas. Esta semana, foi condenada em novo processo.
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A Boeing pagou pelo menos 100 milhões de euros a famílias das vítimas do acidente ocorrido em março de 2019, envolvendo um avião modelo 737 Max 8 da fabricante norte-americana ao serviço da Ethiopian Airlines. Morreram 157 pessoas. O valor total das indemnizações poderá ser superior, já que foram abertos dezenas de processos cíveis e quase todos resolvidos fora dos tribunais. Os detalhes dos acordos permanecem confidenciais. A construtora esteve também envolvida num processo indemnizatório de 1,1 mil milhões de dólares (953 milhões de euros) por causa do desastre em outubro de 2018, com uma aeronave do mesmo modelo, que vitimou 189 passageiros. Avarias no sistema informático MCAS e falta de formação dos pilotos no programa estiveram na origem dos desastres.

Esta semana foi conhecida uma nova sentença. Um tribunal dos Estados Unidos da América (EUA) condenou a gigante da aeronáutica a pagar 29 milhões de dólares (25,1 milhões de euros) aos familiares de um passageiro que morreu no acidente com o voo ET302 da Ethiopian Airlines, a 10 de março de 2019. A informação foi divulgada por um porta-voz do tribunal federal, em Chicago. Um júri condenou a Boeing a pagar uma indemnização aos familiares de um engenheiro irlandês da ONU, que morreu no desastre companhia da Etiópia, revelou a mesma fonte.

A ação civil foi interposta pela viúva de Michael Ryan, um dos 157 passageiros que morreram no acidente com a aeronave 737 Max 8, entregue meses antes à transportadora Ethiopian Airlines. Mick, diminutivo pelo qual era conhecido, era funcionário do Programa Alimentar Mundial e pai de dois filhos. Na mesma viagem, faleceram outros 21 funcionários da ONU, que se deslocavam para a Assembleia das Nações Unidas para o Ambiente. Este acidente com o voo da Ethiopian Airlines sucedeu poucos meses depois da queda de um Boeing 737 Max 8 da Lion Air, que matou 189 pessoas, a 29 de outubro de 2018.

Ainda em 2019, a Boeing admitiu que o programa informático anti-perda de sustentação MCAS contribuiu para a ocorrência destes desastres. Após 346 mortes em dois acidentes, a fabricante norte-americana de aviões foi inundada de processos. Em novembro do ano passado, o júri deliberou uma indemnização de 28,45 milhões de dólares (24,7 milhões de euros) ao viúvo de uma das vítimas do voo da Ethiopian Airlines. Já em maio, a família de Samya Sturno, uma jovem norte-americana de 24 anos que também perdeu a vida a bordo do 737 Max 8 da companhia aérea da Etiópia, recebeu uma compensação de 49,5 milhões de dólares (42,9 milhões de euros).

O advogado da Boeing, Dan Webb, declarou na altura em tribunal que concordava com o causídico da família de Samya Stumo. Admitiu que a família deveria receber “uma compensação financeira substancial pela dor sofrida” mas discordava do montante a pagar, o mais alto conhecido. “A nossa única divergência diz respeito ao valor exato desta indemnização”, observou. Após o julgamento em Chicago, cuja sentença foi conhecida esta quarta-feira, há dois processos relacionados com o acidente da Ethiopian Airlines que permanecem em aberto. No caso do desastre que envolveu a Lion Air, que ocorreu em outubro de 2018, o último processo resultou num acordo, em fevereiro passado.

Há, no entanto, a realçar que a Justiça norte-americana anulou um julgamento da Boeing, a realizar no Texas, após um acordo extrajudicial entre a empresa e o Governo dos EUA celebrado há pouco mais de um ano. Nesse entendimento, o grupo aeronáutico admitia que procurou “obstruir e impedir” o trabalho da Autoridade Reguladora da Aviação Civil (FAA) dos Estados Unidos. Na altura, a administração norte-americana criticou a Boeing por não ter comunicado à FAA aspetos técnicos do programa MCAS.

No acordo, ficava estabelecido que a Boeing tinha de desembolsar mais de 1,1 mil milhões de dólares (953 milhões de euros). A fabricante era obrigada a contribuir com 444,5 milhões de dólares (385,2 milhões de euros) para a criação de um fundo de indemnização para as famílias das vítimas, a liquidar uma coima de 244 milhões de dólares (211,4 milhões de euros) e a disponibilizar 455 milhões de dólares (394,4 milhões de euros) para reforçar os programas internos de segurança, qualidade e conformidade da construtora de aviões. As famílias tinham que se pronunciar sobre o acordo. Os processos dos familiares das vítimas têm sofrido várias reviravoltas.

Com Lusa

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