É cada vez mais urgente um aeroporto do futuro... agora!

Uma vez no aeroporto, todos nós sabemos que o que nos espera é uma viagem, seja ela em trabalho ou em lazer, e a verdade é que toleramos os tempos de espera e os variados imprevistos que são o pão nosso de cada dia. Verdade? Mentira!

Eu cá adoro viajar. E detesto o aeroporto!

Não sei se será só comigo, mas uma vez no aeroporto... está o stress instalado.

Há realidades diferentes, se olharmos para a totalidade do globo. Enquanto na Ásia e no Médio Oriente há novos e massivos aeroportos, já nos Estados Unidos a preocupação é melhorar a segurança com melhores dispositivos tecnológicos que rastreiam passageiros e bagagens de forma mais rápida... ou pelo menos é o que se pretende.

Se por um lado os novos são imponentes obras arquitetónicas, os outros são extraordinárias obras-primas da tecnologia. E estamos assim perante os aeroportos do futuro, nos quais as viagens aéreas serão mais rápidas, mais eficientes e mais agradáveis do que nunca! Mas... estamos mesmo? Ou é só a mim que tudo corre mal?

Tudo começa assim que entramos no átrio do aeroporto. Os grandes LCD com a informação de voo são um atentado ao princípio base do design de informação: o mínimo possível de informação gráfica que passe a mensagem de forma eficaz com o mínimo de esforço intelectual possível.

Se a fila for grande no check-in... optem pela fila! O terminal eletrónico vai dar erro de certeza.

Chegado ao local da revista das malas, pastas, sacos e sacolas, o tempo de espera é interminável. Com sorte, que não é o meu caso, a mala passa sem ir à revista "personalizada", onde alguém consegue desmanchar o interior da mala, que demorou horas a arrumar, a fazer lembrar o último nível do Tetris.

Todas as melhorias brilhantes que foram surgindo nos aeroportos desde o final da década de 1950, ainda estão a lutar para resolver os problemas que incomodaram, e incomodam ainda, quem assegura o bom funcionamento dos aeroportos e os passageiros.

Se viajarmos com bagagem de mão, menos mal... se for com bagagem de porão, mais uma carga de problemas.
É um facto que após o ataque às torres gémeas, as novas triagens de segurança criam longas filas e aumentam a quantidade de tempo que passamos no aeroporto, seja para embarcar num voo direto, seja para apanhar voos de ligação, o que duplica os índices de sofrimento! Esta necessidade de segurança adicional, aumenta o tempo de espera e desafia arquitetos e designers para repensar os projetos que pareciam inovadores no final dos anos de 1990.

À medida que mais pessoas voam com ainda mais frequência, os eventos inesperados sucedem-se e muitas vezes sobrecarregam os melhores projetos aeroportuários.

Depois de mais de 60 anos de tentativas, é uma questão em aberto se o aeroporto do futuro - onde os passageiros e as suas malas se movimentam rapidamente por um espaço agradável para se estar - poderá ou não existir.

E desta vez nem falo nos problemas habituais de orientação, má gestão de cores e de pictogramas ou até de má escolha tipográfica. Falo, sim, na dinâmica do espaço.

Estes espaços articulam-se com a cidade, com a entrada e a saída dos e nos aviões. Articulam-se com a segurança e com a tecnologia. Articulam-se com o bem-estar e com o inesperado.

Ao que parece, só teimamos em não olhar para o tempo que temos porque ou ignoramos ou não conseguimos prever o tempo que vamos gastar.

E isto meus caros, é só e apenas um problema de design que ainda não foi resolvido. E a tempo... acredito que será.

Designer

Diretor do IADE - Faculdade de Design, Tecnologia e Comunicação da Universidade Europeia

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