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China: parceiro ou rival da Europa?

Quando em Pequim se comemoram, no próximo dia 1 de outubro, 70 anos de regime comunista, é a globalização do capital chinês que agita a Europa. Com um conflito latente com os Estados Unidos, e muitos milhares de milhões investidos de Lisboa a Atenas, há razões para temer o poder da China?

Em Kirkenes, no Ártico norueguês, com a Rússia e a Finlândia como vizinhos, vivem apenas cinco chineses. O dono do restaurante Xangai, a sua mulher, o cozinheiro e duas mulheres que casaram com noruegueses da terra. Mas em fevereiro a cidade descreveu-se como a "Chinatown mais a norte do mundo". Em Komarna, uma aldeia em colina íngreme da Croácia, junto ao Adriático, a população local de cento e poucas pessoas mais do que dobrou, do dia para a noite, com a chegada de trabalhadores chineses. Em poucos anos, depois da crise económica que abalou a Europa, os investimentos chineses cresceram. Do norte ao sul do continente. Nesses anos, Kirkenes passou a sonhar com um porto gigantesco, que vai ser o ponto de chegada da navegação da China pelo Ártico, quando o degelo o permitir. E Kormana vê nascer uma ponte que pretende sarar as feridas da guerra da ex-Jugoslávia, ligando o país (Croácia) ao enclave croata de Dubrovnik, sem as cercas da fronteira com a Bósnia e Herzegovina.

Linhas ferroviárias, pontes e autoestradas, portos, centrais e redes elétricas, fábricas de alta tecnologia, empresas turísticas e bancos - em todos estes setores, as empresas chinesas, públicas e privadas, já investiram mais de 300 mil milhões de euros na Europa, escreve a American Heritage Foundation, que mantém uma base de dados de todos os investimentos diretos chineses no estrangeiro acima dos cem milhões de dólares. Em Portugal, a China investiu mais de nove mil milhões, comprando posições dominantes na EDP, da REN, no Millennium BCP, na Fidelidade.

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