Premium O novo crepúsculo dos deuses

Os jornalistas da revista francesa Cahiers du Cinéma não se reconhecem nas diretrizes editoriais dos novos acionistas - mais do que francês, o conflito envolve a defesa dos valores universais da cinefilia.

Tempos agitados na vida pública do cinema francês. Escrevo a quente, sob o efeito de um comunicado (divulgado ao fim da tarde de quinta-feira) em que os jornalistas da redação dos Cahiers du Cinéma, chefiados por Stéphane Delorme, anunciam a sua saída da revista. Motivo: a aquisição da histórica publicação por um conjunto de acionistas que inclui oito produtores do cinema francês.

Aplicando o direito decorrente da chamada "cláusula de cessão", os jornalistas reivindicam também a "cláusula de consciência que protege o direito do jornalista quando há uma mudança de proprietário de uma publicação." A composição dos novos acionistas suscita-lhes "um problema imediato de conflito de interesses numa revista de crítica". Consideram também que "a carta de independência anunciada pelos acionistas" tem sido contraditada por vários "anúncios brutais", incluindo a nomeação de Julie Lethiphu, delegada-geral da Sociedade de Realizadores de Filmes, para o cargo de diretora-geral da revista; para os jornalistas, tal nomeação reforça uma vontade de controlo que, segundo eles, se tem condensado na ideia segundo a qual a revista precisa de se "recentrar no cinema francês".

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