Muito mais do que uma eleição

O ano de 2019 tem uma dupla importância eleitoral para os portugueses - as eleições europeias lá para meados do ano e, mais tarde, as eleições legislativas. E é sobre estas que faço aqui uma breve reflexão, porque são inegavelmente decisivas para o nosso futuro coletivo.

Depois de decorridos mais de três anos sobre a solução governativa posta em prática por quem perdeu as legislativas de 2015, estão a tornar-se claras as fragilidades dessa solução e as insanáveis incoerências internas que desde cedo vieram ao de cima.

Depois de nos anunciarem o fim da austeridade e a devolução de rendimentos perdidos por exigência da troika, chegou a altura de a geringonça reconhecer que a receita de prometer "tudo a todos" falhou. Não admira a atual agitação social e que se adivinha que continue em 2019.

Todos sentimos o sabor amargo dessa irresponsável forma de conquistar votos, em especial as novas gerações. Sem rendimentos que lhes permitam ter uma autonomia digna de vida, confrontadas com preços proibitivos de casas para quem quer aceder ao ensino superior, sem poder ter casa própria para constituir família, a "geração dos quinhentos" é hoje, em grande parte, uma geração revoltada, ainda que generosa.

Chamaram-lhe a geração mais bem preparada de sempre, mas tem sido permanentemente esquecida com promessas que não cumpriram e podemos dizer, infelizmente, que é cada vez mais difícil ser jovem em Portugal.

As legislativas de 2019 vão ser diferentes das de 2015 - já não é possível aos partidos da geringonça - em especial ao PS - repetir promessas em que já ninguém acredita. Por isso, a estratégia é outra e começou cedo a revelar-se - a montagem de uma gigantesca máquina de propaganda, mistificando realidades em que só os incautos e os "fiéis" acreditam.

É esse o desafio com que vamos ser confrontados quando tivermos de votar. Vamos deixar-nos iludir por quem nos quer vender uma realidade cor-de-rosa que não existe ou iniciamos um novo caminho político mais responsável, mais exigente e, por isso, mais confiável?

Cabe a cada um de nós fazer as suas escolhas, com a certeza de que colheremos o fruto da sementeira (eleitoral) que fizermos.

Para todos os leitores um próspero ano de 2019.

Presidente da JSD

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