Premium Vox dá vitória sem maioria ao PSOE e derrota histórica ao PP

Socialistas vencem legislativas antecipadas com 123 deputados e a vice-presidente do partido, Carmen Calvo, avançou desde logo que o PSOE pretende governar sozinho, com pactos pontuais. Um dos cenários de coligação formal era Sánchez aliar-se à Unidas Podemos, aos catalães da ERC e aos bascos do PNV outro, mais difícil apesar de aritmeticamente mais fácil, ao Ciudadanos. Casado admite resultado mau e culpa fragmentação à direita - onde o Vox conseguiu 24 deputados - pela pior derrota do PP.

Javi estava na Calle Génova a vender bandeiras do Partido Popular por cinco euros. Durante uma hora não vendeu nem uma. "Em 2016 vendi todas", contou indignado à reportagem do El País, numa altura em que pouco menos de três dezenas de apoiantes populares esperavam por Pablo Casado, para ouvir o que tinha a dizer sobre aquele que foi o pior resultado da história do partido em eleições legislativas. Apurados 99,99% dos resultados, o PP surge com 16,70% dos votos e 66 deputados, ou seja, menos 71 do que os 137 que obteve em 2016.

"Descalabro, catástrofe, desastre total", diziam membros do setor moderado do PP, deixados de lado por Casado, que depois de suceder a Mariano Rajoy na liderança do PP, em 2018, o dirigiu mais para a direita numa tentativa de evitar trânsfugas para o Vox. Não conseguiu. "Perdemos o centro por culpa da viragem para a direita e por não atacarmos o Vox", afirmavam outros, enquanto esperavam por Casado. O ambiente na sede do PP era quase de cerimónia fúnebre, relatavam alguns jornalistas espanhóis, que acompanharam no terreno a noite eleitoral.

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Catarina Carvalho

Clima: mais um governo para pôr a cabeça na areia

Poderá o mundo comportar Trump nos EUA, Bolsonaro no Brasil, Erdogan na Turquia e Boris no Reino Unido? Sendo esta a semana do facto consumado do Brexit e coincidindo com a conferência do clima da ONU, vale a pena perguntarmos isto mesmo. E nem só por razões socioideológicas e políticas. Ou sobretudo não por estas razões. Por razões simples de simples sobrevivência do nosso planeta a que chamamos terra - porque é isso que é fundamentalmente: a nossa terra. Todos estes líderes são mais ou menos populistas, todos basearam as suas campanhas e posteriores eleições numa visão do mundo completamente conservadora - e, até, retrógrada - do ponto de vista ambiental. E embora isso seja facilmente explicável pelas razões que os levaram à popularidade, é uma das facetas mais perigosas da sua chegada ao poder. Vem tudo no mesmo sentido: a proteção de quem se sente frágil, num mundo irreconhecível, em acelerada e complexa mudança, tempos de um paradigma digital que liberta tarefas braçais, em que as mulheres têm os mesmos direitos que os homens, em que os jovens podem saber mais do que os mais velhos... e em que nem na meteorologia podemos confiar.

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Pedro Lains

Boris Johnson e a pergunta do momento

Afinal, ao contrário do que esperava, a estratégia do Brexit compensou, isto é, os resultados das eleições desta semana deram uma confortável maioria parlamentar ao homem que prometeu a saída do Reino Unido da União Europeia. A dimensão da vitória põe de lado explicações baseadas na manipulação das redes sociais, da imprensa ou do eleitorado. E também põe de lado explicações que colocam o desfecho como a vitória de uma parte do país contra outras, como se constata da observação do mapa dos resultados eleitorais. Também não se pode usar o argumento de que a vitória dependeu de um melhor uso das redes sociais, pois esse uso estava ao alcance de todos e se o Partido Trabalhista não o fez só ele pode ser responsabilizado. O Partido Conservador foi mais profícuo em mentiras declaradas, mas o Partido Trabalhista prometeu coisas a mais, o que é diferente eticamente, mas não do ponto de vista da política eleitoral. A exceção, importante, mas sempre exceção, dada a dimensão relativa da região, foi a Escócia, onde Boris Johnson não entrou. Mas a verdade é que o Partido Conservador conseguiu importantes vitórias em muitos círculos tradicionalmente trabalhistas. Era nessas áreas que o Manifesto de esquerda tradicional teria mais hipóteses de ganhar, pois são as áreas mais afetadas pela austeridade dos últimos nove anos. Mas tudo saiu ao contrário. Porquê?