Premium Lobo Antunes volta a olhar a guerra colonial pela janela de Portugal

Antes de qualquer outro escritor português, Lobo Antunes, em 1979, fez uma revolução na literatura portuguesa com os seus dois primeiros romances, ao escrever como ninguém antes. A Gulbenkian celebra os 40 anos de vida literária hoje com um colóquio.

A boa tradição literária portuguesa diz que os escritores estabelecidos sentem a dado momento uma inveja do sucesso dos novos valores e o caso de Vergílio Ferreira a diminuir António Lobo Antunes em 1985 é um bom exemplo. Na sua diarística, Conta-Corrente, volume 5, o autor de Aparição escreve na entrada do dia 25 de novembro: "Há para aí agora um escritor novo que faz um cagaçal medonho com a sua obra. Chama-se Lobo Antunes e diz ele que não lhe interessa a literatura europeia e que formou o gosto na americana. Perguntam-me se aprecio o novo génio. E eu disse: não gosto de Coca-Cola. Prefiro vinho tinto."

Após o anúncio no ano passado de que a prestigiada Plêiade vai incluir na sua biblioteca este segundo português - a seguir a Fernando Pessoa -, António Lobo Antunes está neste ano a celebrar 40 anos de vida literária e hoje realiza-se um colóquio a celebrar esta data na Fundação Calouste Gulbenkian, onde o autor que para Vergílio Ferreira tinha o sabor de literatura Coca-Cola também revela o seu mais recente romance: A Outra Margem do Mar. Uma história com o cenário da guerra colonial, aquele que melhor marca a identidade da obra do escritor vivo mais importante da nossa literatura contemporânea.

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