Premium Violência policial: Ministério Público arquivou inquéritos sem investigar

Uma inspeção do Ministério Público revelou que havia problemas na investigação de casos de violência policial na zona, um ano antes do caso da Cova da Moura

As palavras do procurador-geral ajunto são inequívocas: houve uma série de arquivamentos de processos contra agentes da PSP "pela prática de factos que, eventualmente, poderiam integrar crimes de abuso de poder". Alípio Ribeiro, magistrado e ex-diretor da PJ já jubilado, tinha sido encarregado de avaliar a atuação daquele órgão na Amadora, tendo em conta as repetidas queixas dos moradores sobre os arquivamentos "abusivos" de denúncias de violência policial. Investigou e concluiu: "Globalmente, a investigação não teve a exigência que aquele tipo de crimes exigiria, nomeadamente num contexto social etnicamente diversificado." A conclusão da inspeção do Ministério Público, em julho de 2014, quando Alípio Ribeiro era inspetor desta estrutura, indicava que havia uma certa desvalorização da atuação policial por parte da procuradora do Ministério Público da Amadora.

Em fevereiro de 2015 aconteceu o caso da esquadra de Alfragide, agora em julgamento. Na fase inicial deste processo, os seis jovens, que alegam ter sido violentamente agredidos e humilhados com injúrias e ameaças racistas, foram constituídos arguidos e o MP - acreditando na versão da PSP, segundo a qual o grupo tinha tentado invadir a esquadra - chegou a pedir a sua prisão preventiva.

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