Os mais vulneráveis

A pandemia que dominou a vida de todos nas últimas e nas próximas semanas terá certamente impactos devastadores e que estão longe de se circunscrever à economia. Sabemos que o vírus tem especial gravidade junto da população mais idosa.

Os dados até agora obtidos permitem concluir que os infetados com menos de 60 anos têm um risco mais baixo de morrer de covid-19. Escalpelizando a informação que nos chega, enquanto pacientes entre 60-70 anos têm uma probabilidade de 0,4% de morrer, aqueles com idades entre 70 e 80 anos têm 1,3% e os com mais de 80 anos, de 3,6%. Da nossa parte, como sociedade, cabe-nos proteger ao máximo este grupo mais vulnerável, incentivando também a que o mesmo vá ganhando mais noção do perigo acrescido que esta pandemia representa.

Foi com essa preocupação que o PSD recomendou ao governo que tome medidas preventivas para que os idosos possam levantar as prestações sociais em segurança nos CTT, lembrando que são o grupo de maior risco do covid-19. Para tal é fundamental envolver as juntas de freguesia e os municípios de forma a disponibilizarem equipas que, em articulação com os responsáveis por cada uma das lojas CTT, acompanhem e organizem os idosos que possam necessitar de deslocação às lojas, sensibilizando-os a respeitar as regras de afastamento no interior, bem como a aceitar os procedimentos de higienização das mãos com os produtos desinfetantes disponíveis.

Mas para além de serem, do ponto de vista clínico, os mais vulneráveis, também o são do ponto de vista social. Esta pandemia é especialmente perigosa para as pessoas idosas sujeitas a impactos negativos e desproporcionados nos direitos à saúde, mas também noutros direitos fundamentais.

As medidas especiais de contenção impostas por vários países dirigidas em especial aos idosos aconselhando ao isolamento das populações mais envelhecidas, no quadro das medidas contra a propagação da pandemia, e havendo o risco e a necessidade de terem de se prolongar no tempo, têm também profundos impactos devido à distância social.

É fundamental que as medidas apresentadas não se circunscrevam a procurar mitigar o gigante problema económico provocado pela pandemia. Até porque, infelizmente, das medidas que se conhecem até agora isso está bem longe de acontecer no caso do governo português. Ao esforço e à iniciativa da sociedade civil de procurar contrariar o isolamento social dos mais velhos, sem colocar em causa a sua saúde, deve também o governo, em articulação com as autarquias, acautelar e mitigar os efeitos do isolamento social dos idosos.

Há já algumas autarquias que têm sido pioneiras, como o caso da Câmara de Cascais, que criou uma Linha de Apoio Sénior. É imperioso que estes não sejam exemplos isolados e que possam ser generalizadamente aplicados em todo o país de forma a apoiar aqueles que são os mais vulneráveis nesta pandemia.

Presidente da JSD

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