"Os portugueses estão ansiosos por voltar aos restaurantes"

Apontando fecho e restrição de horários como as maiores dificuldades enfrentadas pelo setor, Sérgio Sequeira acredita num regresso rápido à mesa. E diz como a plataforma vai ajudar.
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A reabertura ao fim de mais quatro meses de confinamento traz esperanças renovadas de que a restauração rapidamente retomará o fôlego. E se estas primeiras semanas - primeiro de regresso às esplanadas, desde dia 5, e nesta semana em pleno, ainda que se mantenham os limites de seis e quatro pessoas por mesa, respetivamente - mostraram alguma coisa, foi que os portugueses estavam ansiosos por poder voltar a comer fora. Nem que fosse para beber um café em chávena de loiça, um luxo que aprendemos a valorizar nestes meses sem bica ou com uma versão desenxabida de postigo.

É com esse entusiasmo de consumo, que os especialistas veem mesmo como uma questão de saúde mental, que conta a maior plataforma de reserva online de referência para restaurantes a nível nacional. Ao DN/Dinheiro Vivo, Sérgio Sequeira, que acaba de ser nomeado CEO da The Fork para a Iberia & América Latina, diz crer ser possível "fortalecer a posição de liderança local e de crescimento da empresa à medida que as condições do mercado evoluírem".

Com a atividade diretamente ligada à dos restaurantes - a empresa permite às empresas gerir reservas e clientes e a estes encontrar e fazer reservas em restaurantes, classificá-los e ter acesso a críticas de outros clientes, beneficiar de descontos, etc., tudo através de uma app - e tendo sido 2020 e este arranque de novo ano especialmente duros para esta indústria, "tínhamos de ser ágeis e inovadores a encontrar soluções para diminuir o impacto da crise da covid e ajudar os restaurantes a sobreviver", explica o gestor. E concretiza: "Além de oferecermos o nosso software de gestão de reservas, The Fork Manager, totalmente gratuito, e visibilidade no site e na app para o restaurante que disponibiliza serviços de entrega ou take-away, a empresa investiu globalmente 25 milhões de euros em iniciativas para apoiar a indústria a enfrentar o período de encerramento."

CitaçãocitacaoO The Fork investiu globalmente 25 milhões de euros em iniciativas para apoiar a indústria da restauração a enfrentar o período de encerramento

Para Sérgio Sequeira, a crise também trouxe uma leitura otimista: "Demonstrou que os consumidores são resilientes e estão ansiosos por voltar a desfrutar de bons momentos nos restaurantes, verificando-se que o ato de almoçar ou jantar fora está no centro da nossa sociedade." Razão pela qual acredita que, quando o pior passar, "as oportunidades são infinitas". "Queremos continuar a apoiar a indústria da restauração a conseguir mais clientes e aumentar a sua taxa de ocupação através de reservas de uma comunidade global", resume. Para isso contarão iniciativas como o Save our Restaurants, que "em Espanha gerou quase meio milhão de euros para os restaurantes durante o confinamento, ou o Regresso aos Restaurantes, em 20 mercados, que mobilizou mais de 10 mil espaços em todo o mundo, incluindo 410 restaurantes em Portugal (continental e ilha da Madeira)".

Tendo vários mercados no colo, o responsável aponta os diferentes graus de dificuldade encontrados em regiões que não foram obrigadas a fechar a restauração, "como a Suécia ou Madrid, onde as restrições foram menos rígidas", e o fator comum a todos e gerador de esperança: "Todos sentiram uma rápida recuperação no período do verão de 2020, após a primeira onda da pandemia, que em alguns países chegou a valores de 2019."

E pode o IVAucher, medida fiscal anunciada pelo governo para incentivar o consumo nos setores mais afetados pela crise (restauração, cultura), transformando impostos em créditos para reutilizar nessas áreas - e que ainda não saiu do papel, dado o novo confinamento -, ajudar a essa recuperação em Portugal? O gestor prefere apontar as maiores dificuldades sentidas pelo setor antes de responder. "O maior problema para os restaurantes foi o encerramento geral, ao ficarem impossibilitados de trabalhar nos últimos três meses. As limitações à capacidade também dificultam a recuperação, pelo que valorizamos todas as medidas de apoio que possam surgir." Para ele, é portanto importante que essa medida veja a luz do dia após a reabertura "e que o incentivo aos consumidores tenha impacto na visita de mais clientes aos restaurantes".

CitaçãocitacaoO maior problema para os restaurantes foi o encerramento geral, ao ficarem impossibilitados de trabalhar. As limitações à capacidade também dificultam a recuperação

Quanto a planos de expansão da plataforma, o The Fork aponta a digitalização crescente e cada vez mais sofisticada como prioridade. "Continuamos fortemente comprometidos com a inovação, a impulsionar novas propostas digitais para ajudar os restaurantes e os utilizadores a adaptarem-se ao novo contexto, com ferramentas como o TheFork PAY, uma nova solução de pagamento direto na aplicação que já está a ser implementada em vários países."

A plataforma estava a seguir uma tendência de crescimentos médios acima dos 50% ao ano em Portugal, que foi interrompida pela pandemia. Mas que pode agora ser retomada. Quanto a promoções na app, uma opção que cabe aos restaurantes (descontos de 30%, 40% ou 50% ao consumidor), Sérgio acredita que serão importantes para captar mais clientes neste momento. "Após a reabertura geral, esperamos ter cerca de 2500 restaurantes e cerca de 23% deles (575) com promoções implementadas, conclui.

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