Premium Porque é que os privados fazem abortos mais caros e que nem são os aconselhados?

Das cerca de 10 500 interrupções voluntárias da gravidez feitas no Serviço Nacional de Saúde em 2017, 98% foram realizadas com medicamentos, enquanto no privado 94% dos abortos feitos a pedido das mulheres recorrem a cirurgias.

Nunca houve tão poucas mulheres a realizar interrupções voluntárias da gravidez (IVG) em Portugal. Em 2017, esse número não chegou às 15 mil (14 899), o valor mais baixo desde 2007, ano em que o aborto até às dez semanas passou a ser legal. Mas há outros dados que saltam à vista por estarem em extremos tão opostos: das cerca de 10 500 IVG feitas no Serviço Nacional de Saúde em 2017, 98% foram realizadas com medicamentos; uma percentagem que literalmente se inverte no privado, onde 94% dos abortos feitos a pedido das mulheres recorrem a cirurgias com anestesia geral e apenas 3% a medicamentos. O que justifica então que as clínicas recorram a um método que não é aconselhado pela Direção-Geral da Saúde e até fica mais caro para o Estado?

"Eu diria que são duas grandes áreas: a organização interna dos serviços e o treino dos profissionais", responde Teresa Ventura, chefe da divisão de Saúde Sexual, Reprodutiva, Infantil e Juvenil da Direção-Geral da Saúde e obstetra do Hospital Dona Estefânia. A responsável pelo relatório das interrupções voluntárias da gravidez, publicado nesta terça-feira, argumenta que a via cirúrgica, no público, obrigaria a mexer nas escalas dos blocos operatórios e que as equipas do SNS têm um grande treino na IVG medicamentosa, porque foi a via que o país adotou desde que a lei começou a ser aplicada.

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