Premium Que efeito tem a exposição contínua a imagens de tragédia?

Os incêndios e a destruição na Grécia, o colapso da barragem no Laos, o resgate dos 12 jovens presos numa gruta na Tailândia, a violência do Médio Oriente. Todos os dias, durante horas a fio, somos bombardeados com imagens de tragédia. De que forma esta sobrexposição afeta as nossas emoções? Corremos o risco de nos tornar indiferentes à guerra e à destruição? Os especialistas respondem.

Seja através da televisão, do telemóvel ou dos jornais, as imagens de guerra, devastação e terror surgem diariamente. Do Médio Oriente, a morte, a violência, a guerra interminável.

Quase em direto, durante 17 dias, o mundo acompanhou um grupo de jovens e um adulto presos numa gruta na Tailândia. Do Laos, chegam imagens de casas submersas enquanto os media relatam informam, vezes sem conta, das centenas de desaparecidos, após o colapso de uma barragem.

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Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?