Premium "Não há nenhum português que não tenha o swing do fado"

A frase é de Camané, que a diz sentado ao lado de Mário Laginha, com quem hoje sobe ao palco da Casa da Música para o primeiro do ciclo de concertos Aqui Está-Se Sossegado.

"Llembro-me de ser gozado na rua por cantar o fado. Morava no rés-do-chão, as pessoas passavam ao pé da minha casa e eu tinha de ouvir fado baixinho no meu quarto, às escondidas. Depois, com os meus amigos, ia para as garagens ouvir rock, ouvia tudo o que se ouvia na minha geração. E lembro-me de ter uns amigos no Brasil que diziam [faz sotaque]: "Fado? Essa música é brega, é p"ra chorar.""

Mário Laginha sorri enquanto ouve Camané falar. Também ele torna a olhar para si miúdo. "Quando estava a estudar jazz eu achava que o fado não tinha graça nenhuma. Há muita tendência, quando se é muito novo, a ter ideias muito definitivas. Uma pessoa não conhece nada e acha que sabe o suficiente para dizer que não gosta. Depois comecei a ouvir umas coisas da Amália, depois ouvi o Camané, e gostei imenso. Até que cheguei ao ponto: "Olha, afinal eu gosto de fado.""

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