Premium Ballard nas Bahamas

O metabolismo próprio das redes sociais costuma ser demasiado acelerado para formar memórias rigorosas e duradouras, mas de vez em quando surge um evento capaz de fixar indelevelmente uma data. Tal como se lembram dos dias gloriosos do "covfefe" de Trump ou daquele controverso vestido de cor indeterminada, um número significativo de utilizadores do Twitter recorda o que estava a fazer na madrugada de 28 de Abril de 2017: a acompanhar em directo uma sumptuosa calamidade tropical chamada Fyre Festival.

O evento, concebido pelo rapper Ja Rule e por Billy McFarland, um jovem empreendedor de Nova Jérsia, pretendia proporcionar a "experiência cultural da década": música, luxo e opulência, num cenário paradisíaco nas Bahamas. Algumas centenas de pessoas - que tinham pago entre 1500 e 50 mil dólares pelo bilhete - chegaram à ilha de Grande Exuma na expectativa de um fim-de-semana de exclusividade hedonista em luxuosas vivendas à beira-mar, a comer pratos gourmet preparados por chefs famosos, e na companhia de top models e estrelas do Instagram. O que encontraram foi um descampado lamacento, tendas ensopadas, matilhas de cães selvagens e trágicas fatias de queijo. Horas depois de aterrarem, descobriram que todas as bandas tinham cancelado a sua presença, que não havia electricidade, nem água potável, nem alojamento para todos, nem uma forma rápida de regressarem a casa. Enquanto tudo isto acontecia, e enquanto as baterias dos smartphones resistiram, foram fazendo tweets. E a "experiência" que não tiveram transformou-se na experiência de todos os que estavam de fora a assistir.

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