Premium May demitiu-se. E agora, o que acontece ao Brexit?

Primeiro foi David Cameron. Agora é Theresa May. A saída do Reino Unido da União Europeia não se concretizou e já afastou do poder dois primeiros-ministros. Deixou um país dividido e em angústia e sem perspetivas de que a questão se resolva de forma rápida.


Plano "audacioso" cai por terra
A primeira e óbvia consequência da demissão da primeira-ministra é que os deputados são poupados, por ora, a novo debate e votação do acordo de retirada, através de um projeto de lei que deveria ter sido apresentado na sexta-feira. Após seis semanas de negociações com os trabalhistas, que redundaram em fracasso, a primeira-ministra propunha complementar o documento assinado com Bruxelas com um "audacioso novo plano". Este previa a possibilidade de os parlamentares decidirem se os eleitores teriam a última palavra através de um referendo, bem como a continuidade na união aduaneira, ainda que provisoriamente. Estas propostas foram a gota de água para parte significativa do Partido Conservador, a começar pela líder da Câmara dos Comuns, Andrea Leadsom. Recusou levar o projeto de lei ao Parlamento e em consequência demitiu-se. Foi o 36.º membro do governo de Theresa May a demitir-se.

Boris Johnson avança...
Oito dias antes da declaração emocionada da líder dos tories e de o governo a selar a saída de Downing Street, o seu ex-ministro dos Negócios Estrangeiros já preparava terreno. "É claro que vou avançar. Não acho que seja um segredo para ninguém", disse Boris Johnson. O antigo mayor de Londres foi a cara da campanha pela saída do Reino Unido da União Europeia e saiu do executivo em julho do ano passado, em desacordo com o plano de May. Autor de alguns mitos sobre a União Europeia enquanto correspondente do Daily Telegraph, defende um acordo sem acordo, isto é, que permita negociar um acordo de comércio livre com a UE e a solução da fronteira da Irlanda do Norte. Enquanto deputado regressou às páginas do Telegraph, no qual assina uma coluna semanal a troco de 25 mil euros mensais. "Vamos sair da UE no dia 31 de outubro, com ou sem acordo. A maneira de obter um bom acordo é preparar para não haver acordo", foram as primeiras palavras públicas de Boris após o anúncio de May.

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O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

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