Com juros quase nos 0% já há quem pague para ter um depósito

A CGD, que até agora remunerava as contas em 0,05%, vai passar a pagar 0,015% a partir de 1 de agosto. É um corte de 70%. Com as comissões, já há clientes a pagar para ter o dinheiro no banco.

Vale cada vez menos ter o dinheiro depositado num banco. As taxas de juro aplicadas pelos bancos estão quase a 0%. Somando comissões de manutenção de conta, muitos clientes já pagam para ter o dinheiro depositado. E se contar com a inflação, de 0,9% prevista para este ano, o cenário fica ainda mais negro.

A Caixa Geral de Depósitos já anunciou que a partir de 1 de agosto vai baixar a remuneração dos depósitos, tanto de particulares como de empresas. Contas que tinham uma taxa anual nominal bruta de 0,05,% vão passar a ter uma remuneração de 0,015%. É um corte de 70%.

"A menor capacidade de remuneração de depósitos e poupanças pelo setor bancário assenta na necessidade de ajustamentos progressivos de modo a assegurar a sustentabilidade do setor no atual contexto", explicou uma fonte oficial do banco estatal. Entre as contas que vão sofrer uma redução na remuneração estão as Caixapoupança Reformado e Caixapoupança Emigrante, que tinham uma taxa anual nominal bruta (TANB) de 0,05%, que agora cai para os 0,015%.

"No último mês, houve pelo menos dois bancos a baixar os juros em depósitos", revela António Ribeiro, analista da Deco. "Em média, os depósitos rendem 0,1%. Até zero, há sempre caminho", afirmou. Para Filipe Garcia, economista da IMF-Informação de Mercados Financeiros, "é dífícil cortar mais, a remuneração já está praticamente em 0% em muitos depósitos".

Pagar por depósito

"Tão cedo não podemos esperar por uma subida das taxas de depósitos. Devemos ficar mais um ou dois anos sem qualquer subida", prevê António Ribeiro, depois de Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE), ter admitido baixar de novo as taxas de referência, já em mínimos históricos, se for necessário apoiar o crescimento da economia da zona euro.

Em Portugal, a lei não permite aos bancos aplicarem taxas de juro negativas aos depósitos, porque têm de garantir o capital. Mas a maior parte já não paga nada aos clientes para guardar o seu dinheiro. Descontando as comissões de manutenção, acabam por ser os clientes a pagar ao banco. "A tendência tem sido os clientes deixarem de ter contas a prazo e optarem por ter o dinheiro em contas à ordem", reconhece o analista da Deco.

Para preservar as poupanças, a Deco recomenda a subscrição de depósitos promocionais que bancos oferecem a novos clientes. "São depósitos a três meses que garantem uma remuneração líquida de 1,4%. Se o cliente for rodando de banco, pode garantir algum ganho anual", explicou António Ribeiro. Outra alternativa é a subscrição de certificados de aforro ou certificados do Tesouro. Ainda para soluções que oferecem capital garantido, para aplicações de médio a longo prazo, os Planos Poupança-Reforma Seguro são uma opção a considerar. Para obter maiores ganhos, "só aplicando em produtos de maior risco, como os fundos de investimento". "Mas é importante seguir a regra de ter primeiro poupança aplicada em opções mais seguras, com capital garantido, e também a de não colocar todo o dinheiro num só produto."

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Betinho

Betinho: "NBA? Havia campos que tinham baldes para os jogadores vomitarem"

Nasceu em Cabo Verde (a 2 de maio de 1985), país que deixou aos 16 anos para jogar basquetebol no Barreirense. O talento levou-o até bem perto da NBA, mas foi em Espanha, Andorra e Itália que fez carreira antes de regressar ao Benfica para "festejar no fim". Internacional português desde os Sub-20, disse adeus à seleção há apenas uns meses, para se concentrar na carreira. Tem 34 anos e quer jogar mais três ou quatro ao mais alto nível.