República Dominicana. Para lá do resort

Verão

República Dominicana. Para lá do resort

República Dominicana. Sabe bem passar uns dias ao sol, com o cocktail na mão e a pulseira de Tudo Incluído no pulso. A República Dominicana é perfeita para isso, mas fora dos hotéis há ainda um país à espera de ser descoberto: património, natureza, gastronomia e alegria de viver.

A versão oficial e ocidental da história conta-nos que, em 1492, Colombo alcançou as Caraíbas. Desembarcou no atual território das Bahamas a pensar que tinha chegado à Índia e seguiu viagem até ao que hoje conhecemos por Cuba, Haiti e República Dominicana. Vinha acompanhado por cerca de cem homens e foram eles a abrir as contas do movimento turístico dominicano. No ano passado, este foi o destino mais visitado por turistas portugueses nas Caraíbas, com mais de 35 mil turistas nacionais. Neste ano, os números serão bem mais baixos - todos sabemos porquê -, mas esta é uma viagem que tem de marcar no calendário.

Colombo até pode ter chegado por engano, mas não falhou quando escolheu Santo Domingo como a primeira capital das Américas. É a mais antiga cidade do Novo Mundo, tem uma população a rondar os três milhões de habitantes e uma herança histórica valiosa. A Cidade Colonial - Património da Humanidade pela UNESCO desde 1990 - é o principal ponto de interesse, com os seus edifícios de época, praças espaçosas, fortificações, monumentos religiosos e lembranças de um passado proveitoso como entreposto entre Europa, África e Américas. É por aqui que encontramos a primeira rua calcetada, a primeira universidade, o primeiro hospital e a primeira catedral do Novo Mundo. Toda a área foi recuperada na última década e é hoje o grande orgulho dos capitaleños.

Na Plaza de España, tudo se passa. Durante o dia há o Alcázar de Colón para descobrir. Construído no início do século XVI, foi o palácio de Diego Colombo, filho de Cristóvão e vice-rei do território. Serviu de posto de vigia virado para o rio Ozama ("águas profundas e tranquilas", na língua taína, a dos nativos pré-colombianos) e é hoje um museu digno de visita. À noite, a praça transforma-se no ponto de encontro de turistas e habitantes locais em busca de diversão. A beleza dos seus edifícios de diferentes épocas conquista à primeira vista e os bares, cafés e restaurantes dão-lhe uma vida merecedora de destaque. Hotéis de charme, restaurantes gourmet e de cozinha crioula, discotecas, museus e lojas das grandes marcas internacionais também não são difíceis de encontrar por Santo Domingo.

A três horas e meia em autocarro está Samaná, península que é uma das zonas mais virgens deste país que divide a ilha Hispaniola com o Haiti. Santa Bárbara de Samaná, a mais importante cidade da região, tem cerca de 50 mil habitantes e está virada para o turismo. Nem outra coisa seria de estranhar, já que destinos de praia como Las Terrenas, Las Galeras ou Playa Bonita têm quase sempre honra de capa de revista de viagens. Entre pequenos hotéis de charme e os das grandes cadeias internacionais, a escolha é variada e se ficar deitado na praia é um programa imperdível, também a descoberta deste nicho ecológico enche as medidas. A península é maior do que a maioria das ilhas das Caraíbas e inclui o maior coqueiral do planeta, de acordo com os dados oficiais do turismo local. De Santa Bárbara partem lanchas rápidas e catamarãs em direção ao Parque Nacional Los Haitises, criado oficialmente em 1976. Tem uma superfície de 3600 km2 de área protegida com floresta densa, mangais ou grutas semisubmersas onde não faltam exemplos de arte rupestre.

Perto há outro ponto de interesse a visitar - o Salto El Limón, uma cascata com 52 metros de altura acessível apenas a pé ou de cavalo. Com saída de Las Terrenas, são três horas de caminho (ida e volta) para dar um mergulho na piscina natural criada pela queda de água.

É um país interessante, este. E não apenas pelas suas qualidades naturais. Historicamente, está recheado de invasores, disputas e multietnicidade. Europeus, africanos - devido ao negócio dos escravos a partir do século XVI - e indígenas tornaram a população dominicana uma combinação de cores e culturas repletos de riqueza. Os habitantes originais (taínos) viviam essencialmente da caça, da pesca e da agricultura até à chegada dos europeus em 1492. No final do século XVII, os franceses tomaram conta da parte ocidental da ilha e, em 1795, Espanha cedeu o setor oriental a França.

O território ainda voltou a mãos espanholas, mas em 1821 um grupo de dominicanos proclamou a chamada Independência Efémera. Menos de um ano depois, os haitianos invadiram a outra metade da ilha e mantiveram-se no poder durante 22 anos até ao nascimento da República Dominicana, liderada por Juan Pablo Duarte. Passaram 17 anos até a jovem república ser novamente anexada por Espanha.

O início do século XX foi o da entrada dos EUA na realidade dominicana. Os norte-americanos passaram a administrar o território em 1907 e em 1916 invadiram o país. Entre o caos e a instabilidade surgiu, em 1930, o ditador Rafael Leonidas Trujillo, um dos mais implacáveis líderes da América Latina. Esteve 30 anos no poder até às primeiras eleições livres (1962). O escritor Juan Bosch foi o vencedor mas sete meses depois foi deposto. Estalou a guerra civil e, em 1965, voltaram os norte-americanos com uma segunda invasão. Um ano depois, novas eleições e a vitória de Joaquín Balaguer que se manteve 12 anos na chefia dos destinos dominicanos. A partir de 1978, o processo democrático estabilizou-se e hoje a República Dominicana vive um longo período de acalmia política, depois de séculos de mudanças bruscas e influências externas.

A gastronomia é um bom exemplo da diversidade a que o país esteve sujeito, com fusões improváveis e ajustadas à realidade da ilha. Na mesa, há um prato a que não se pode fugir, chamam-lhe bandera - arroz branco, feijão vermelho, carne de frango ou de vaca, salada ou tostones (rodelas de banana frita). Peixe e marisco, vegetais, fruta, carneiro ou pele de porco - os famosos chicharrones - não podem deixar de ser provados. Para acompanhar, a cerveja Presidente bate toda a concorrência, principalmente se for servida com "véu de noiva", ou seja, a garrafa revestida por uma camada fina de gelo. Peça assim e depois falamos... No fim da refeição, há um copo de rum à espera. Envelhecido e sem gelo para os verdadeiros apreciadores ou sob a forma de cocktail, como cuba libre, mojito, daiquiri ou piña colada. Para os fumadores também há que referir os charutos, claro.

Um último destaque para a maior riqueza do país: as pessoas. Se quiser quebrar o gelo e meter conversa quando sair do hotel, fica uma dica: o tema desporto dá sempre jeito, com destaque para o basebol (modalidade principal com estrelas como Pedro Martinez ou Sammy Sosa) e atletismo - Félix Sanchéz é um nome a reter, antigo campeão olímpico dos 400 metros barreiras. Outro assunto que vale a pena referir é a música. E aí quem manda é Juan Luis Guerra, o famoso criador do tema Borbujas de Amor. Sem nunca colocar de lado todos os cantores do universo das bachatas. Fica mais um conselho: aprenda alguns passos deste estilo antes de ir. Ou vai passar uma vergonha... Boas férias!

Em tempos de covid-19

As fronteiras internacionais foram reabertas a 1 de julho, depois de mais de cem dias encerradas. O país teve perto de 18 mil infetados com covid-19. Continuam em vigor as medidas globalmente adotadas: uso de máscara em locais públicos, higienização e distanciamento social. Os hotéis encontram-se em funcionamento respeitando as novas restrições. As agências de viagem portuguesas já têm pacotes de férias disponíveis para este ano na República Dominicana.
Mais informações em godominicanrepublic.com

Reportagem original publicada em https://www.voltaaomundo.pt/2015/10/14/republica-dominicana-nao-e-so-hoteis-de-luxo/destinos/region-destinos/republica-dominicana/3815/

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