Parem com as barragens e os açudes

Os nossos rios não são apenas estruturas hidráulicas e a gestão das bacias tem de ser feita de forma integrada, para garantir a sua qualidade ecológica, defende o biólogo Pedro R. Almeida, vice-diretor do MARE e docente na Universidade de Évora.
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Um exemplo dessa falta de visão é a construção prevista de uma Ponte-Açude no Rio Novo do Príncipe (Vouga), em plena Rede Natura, com quase seis metros de altura. As primeiras e mais importantes vítimas deste atentado natural serão os peixes migradores, como os sáveis e as lampreias.

As grandes barragens, os açudes e vários outros obstáculos construídos no curso dos rios, durante as últimas décadas, interrompem os percursos migratórios de várias espécies de peixes e são a principal ameaça à sua sobrevivência. Nos últimos anos, na Península Ibérica, só a lampreia-marinha perdeu 80 por cento do habitat.

Mas existem outros perigos, como a poluição generalizada. As larvas de lampreia, que precisam de passar os primeiros quatro a cinco anos enterradas, são das suas principais vítimas.

Para Pedro R. Almeida, é urgente eliminar os obstáculos obsoletos, como pequenos açudes que deixaram de ter utilidade. Nos restantes casos, tal como a lei manda, é obrigatório construir dispositivos de transposição para os peixes. Podem ser passagens de bacias sucessivas com fendas verticais, rampas para peixes ou elevadores, conforme as necessidades de cada espécie. Só assim se poderão salvaguardar espécies migradoras tão emblemáticas como o sável, o salmão, a lampreia, a enguia ou o muge. Em alternativa, pode-se recuperar e preservar os habitat a jusante das grandes barragens, preferencialmente em afluentes, de forma a manter uma reserva biológica da espécie - evitando a sua extinção, tal como sucedeu com o esturjão.

Coordenador do projeto Ciência com Impacto

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