Premium Estado continua a pagar o salário a espião que traiu o país

Apesar de estar a cumprir pena e sem exercer funções, o Sistema de Informações decidiu manter o vencimento de Frederico Carvalhão Gil, o agente duplo condenado por vender segredos à Rússia. MAI e Justiça tiveram outra posição em outros casos.

O Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP) continua a pagar o vencimento, cerca de 2500 euros líquidos mensais, ao espião condenado por espionagem para a Rússia e corrupção passiva. A situação causa perplexidade, não só internamente mas também noutros setores, como o da Administração Interna ou da Justiça, que já viram altos funcionários a ficar sem salários, apenas como arguidos, antes sequer da acusação e da condenação.

Frederico Carvalhão Gil, que está a cumprir a pena em prisão domiciliária, foi detido a 21 de maio de 2016 em Roma, numa operação hollywoodesca das autoridades italianas e portuguesas, juntamente com o seu controlador das secretas russas, extraditado para Portugal e detido pela Polícia Judiciária (PJ).

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A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.