Premium O Brasil sempre disse "desmata" agora Bolsonaro grita "esfola"

Especialistas apontam o dedo ao Estado, mas sobretudo ao atual presidente, cuja reputação internacional arde ainda mais depressa do que a floresta. A sua política, assumida, de ataque ao meio ambiente, culminada com a demissão do presidente do órgão de controlo no início do mês, empoderou os desmatadores país afora.

O Brasil desmata a Amazónia desde antes de Jair Bolsonaro nascer, mas o principal culpado da tragédia que se vive hoje é o atual presidente, de acordo com a opinião da maioria dos especialistas. Se o Estado sempre disse "desmata", o Capitão Motosserra ou Bolsonero, as suas alcunhas mais recentes, gritou na campanha e continuou a gritar já no poder "esfola". O resultado está à vista: a devastação no pulmão da Terra gerou alertas da ONU e ataques das maiores economias do mundo, reunidas no G7. O Palácio do Planalto, como a floresta, também está a arder.

Apesar de o governo argumentar "ter apenas oito meses de duração", para Cláudio Ângelo, coordenador de comunicação do Observatório do Clima e autor de A Espiral da Morte - Como a Humanidade Alterou a Máquina do Clima, de 2016, "o Brasil é um país onde os sinais valem mais do que os contratos, logo, a perceção que os desmatadores tiveram é que, com o discurso de Bolsonaro assumidamente contrário à floresta, ao meio ambiente e aos indígenas, estava na hora de aproveitar".

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