Premium 'Watchmen': o espectador no seu labirinto

Algumas das imagens mais cativantes são citações do romance gráfico, mas a fidelidade reside não em esmolas visuais mas no modo como servem uma função narrativa.

Foi mais ou menos a meio do quarto episódio de Watchmen (HBO Portugal, Domingos) que este céptico telespectador concluiu, indisfarçavelmente contrariado, que aquilo que estava a acontecer no ecrã não era de todo desagradável. Aquilo que estava a acontecer no ecrã era o seguinte: num bote de madeira, à luz da lua, Jeremy Irons mergulhou as mãos nas águas plácidas de um lago para içar uma espécie de armadilha para lagostas de onde extraiu alguns bebés de aspecto humano. Depois de atirar um deles de volta ao lago, enfiou dois numa sacola e regressou ao seu castelo decadente, onde enfiou os bebés num electrodoméstico gigantesco que se assemelhava a um microondas steampunk e se sentou confortavelmente a comer uma fatia de bolo de aniversário ao som de choro e gritos.

Já estivemos aqui antes. Em muitos aspectos, Watchmen adere estritamente ao livro de estilo daquilo que se tornou a tradição televisiva mainstream dos últimos anos: um catálogo de imagens misteriosas e momentos "wtf?" cujo impacto é parcelado às prestações, numa escalada descendente de desencanto à medida que a explicação é revelada, ou infinitamente protelada. Mas é também algo mais, não tanto na competência com que gere os seus significados e a sua tralha temática, mas no modo como parece compreender e reproduzir os métodos básicos de construção do material de origem.

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