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Mesmo antes das destruições recentes, é do conhecimento geral que essa joia maior da cultura europeia, Veneza, será uma das primeiras vítimas da subida imparável do nível médio do mar (NMM), mercê das alterações climáticas. Para evitar as habituais manobras de diversão, que atiram tudo para cima de uma certa desorganização e escassa transparência do sistema político italiano (para não usar o termo corrupção em terra alheia), vale a pena citar um estudo de junho deste ano publicado pela Academia das Ciências dos EUA (J. L. Bamber et alia), em que se atualizam as projeções de subida do NMM para dois metros até 2100 e 7,5 metros até 2200, no cenário provável de um aumento da temperatura média na zona dos 5º C.

Indo ao cerne da questão: se dermos crédito a décadas de trabalho científico competente e porfiado teremos de ter a coragem de reconhecer que nem mesmo a capacidade de organização e coordenação dos holandeses chegará para que os Países Baixos fiquem imunes a uma subida do NMM de três ou quatro metros daqui por 120-150 anos. Para a subida do NMM no longo prazo, que se estima já estar comprometida no atual nível de concentração de gases de estufa, as medidas de mitigação, embora fundamentais para manter a habitabilidade do planeta, já não chegarão a tempo para muitos milhares de cidades e infraestruturas, com dezenas de milhões de pessoas afetadas. As muito onerosas medidas de adaptação também serão inúteis a partir de um determinado nível de subida do NMM.

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