Francisco Garcia esteve um ano no Seminário da Ordem de São Francisco de Assis, em Leiria, mas saiu,
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Natal

Um presépio tirou Francisco Garcia da rua. Depois do álcool, Cristo

Foi sem-abrigo 26 anos. Viveu 18 à porta da Igreja de Arroios. De dia pedia esmola, à noite bebia. Um dia, deixou essa vida. Foi "um milagre de Natal", mas com muita intervenção dele. Francisco Garcia, de 53 anos, é outro homem há oito anos.

Aos 9 anos já os pais o levavam para a Ginjinha, na Rua das Portas de Santo Antão, em Lisboa. Eles bebiam a bebida e ele comia o fruto. Foi assim que se agarrou ao vício. Mas não os culpa, nunca o fez: "Foi a família que Deus me deu, é a família que aceito." Mesmo que esse vício o tivesse atirado para a rua durante 26 anos. O pai morreu há 19 anos, a mãe tem 83, muito doente, já não consome, mas o irmão de 60 ainda.

Francisco Garcia, de 53 anos, viveu em Lisboa, no Porto, procurou abrigo em França e em Itália, mas regressou sempre à capital, à sua terra, e ao álcool. Um dia, 24 de novembro de 2010, deixou tudo para trás - "sou muito oito ou oitenta", confessa - e "a frio", como costuma dizer. "Sem médicos, sem comprimidos, sem apoios." Era o tudo ou nada, já o tinha tentado várias vezes, recaía sempre. Nesse mesmo ano, em maio, entrou no Hospital Júlio de Matos, para desintoxicação, mas dois meses depois recaía. Voltou à rua. Bebeu sofregamente, "consumi muito". Sentiu culpa, admite. Mas naquele dia, não sabe porquê, decidiu não tocar mais numa gota de álcool. Entregou-se à oração, a Nossa Senhora de Fátima e a Santa Isabel da Trindade. "Pedi-lhes que me ajudassem a deixar o vício."

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