Mil milhões no relvado da Luz. O novo-rico contra o velho senhor da Europa

PSG e B. Munique decidem neste domingo em Lisboa quem vai suceder ao Liverpool como vencedor da Liga dos Campeões. Neymar, Mbappé, Lewandowski ou Gnabry são alguns dos craques que vão estar em ação na Luz.

Se não houver tempo extra, por volta das 22.00 deste domingo será conhecida a equipa que vai suceder ao Liverpool como vencedora da Liga dos Campeões, numa temporada atípica devido ao contexto de pandemia que levou ao adiamento da prova e a que os jogos se realizassem a partir dos quartos-de-final a uma só mão e sem público em Lisboa. Frente a frente, no Estádio da Luz (20.00, TVI), vão estar Paris-Saint Germain, que procura a primeira Champions da sua história, e o Bayern Munique, em busca do sexto troféu do seu palmarés, o último dos quais assegurado na edição de 2012-13.

O duelo deste domingo será entre um velho senhor da Europa (B. Munique) e um novo-rico (PSG). O clube francês, propriedade de um fundo catari desde 2011, investiu forte desde essa altura, gastando cerca de 1200 milhões de euros no reforço da equipa (Neymar, 222 milhões, Kylian Mbappé, 180, Edinson Cavani, 64, Angel Di Marí, 63, Mauro Icardi, 50 e David Luiz, 50, são alguns exemplos). Nove anos depois, viu finalmente este investimento ter sucesso fora do contexto nacional, com a primeira presença do clube numa final da Champions.

O Bayern também fez investimentos avultados nos útimos anos, mas sem entrar nas loucuras do projeto francês do magnata Nasser al-Khelaifi. Os germânicos são uma equipa já muito habituada à alta-roda europeia - prova disso são as cinco Champions já conquistadas e o facto de terem marcado presença em dez finais. A última taça erguida foi em 2012-13, numa final 100% alemã, quando bateram no jogo decisivo o B. Dortmund por 2-1.

Só tendo em conta os prováveis onzes das duas equipas, neste domingo à noite no Estádio da Luz vão estar em campo cerca de mil milhões de euros, sensivelmente o valor de mercado dos 22 jogadores. Do lado do PSG, os craques com maior cotação de mercado são Mbappé (180M), Neymar (128) e Marquinhos (52). Do lado germânico, o jogador mais valioso é Serge Gnabry, avaliado em 72 milhões. Seguem-se Alaba (65) e Alphonso Davies (60).

Esta é uma final que promete golos. Entre o campeonato alemão e a Liga dos Campeões, o Bayern Munique marcou um total de 142 golos em 44 jogos. Os números do PSG em termos de média andam muito perto: 102 em 37 partidas.

O desafio deste domingo é o nono duelo entre as duas equipas na Liga dos Campeões. Curiosamente, sempre que mediram forças foi na fase de grupos. E, contrariamente ao que seria de esperar, a vantagem até é dos franceses, que venceram cinco dos oito encontros já disputados. Em termos de golos, um grande equilíbrio. 13 para o PSG, 12 para o Bayern.

Armas de um e de outro lado

Mas, afinal, o que se pode esperar da final deste domingo na Luz, e quais os pontos fortes e fracos de cada uma das equipas e os jogadores-chave? Pedro Bouças, criador do blogue Lateral Esquerdo, deixa no DN a sua visão.

"O PSG é uma equipa bem organizada defensivamente. O Tuchel convenceu o Di María a fechar o espaço na linha média e, partindo desse 4X4X2 em organização defensiva, é um conjunto que fecha bem os espaços em direção à sua baliza e depois é verdadeiramente poderoso na transição ofensiva. Através das recuperações de bola do Neymar, Di María e com Mbappé na frente, o PSG tem condições para fazer golos", descreve.

Para Pedro Bouças, que nos últimos meses integrou a equipa técnica de Jesualdo Ferreira no Santos, do Brasil, como observador de jogos, "o PSG vai defrontar um Bayern que na linha de defensiva tem alguma dificuldade com os espaços nas costas".

"Parece-me que pode ser por aqui que os franceses podem fazer a diferença, ou seja, defender em bloco médio, juntos em 4X4X2, e depois na recuperação de bola aproveitar a velocidade do Mbappé a pedir a bola nas costas, alimentado por Neymar e Di María. O ponto forte do PSG é claramente o trio da frente, capaz de ser eficaz não só em situações de contra-ataque, mas também em ataque posicional. Trata-se de avançados com muita criatividade e grande capacidade para jogar em espaços curtos", considera.

A estrela da equipa é obviamente Neymar, "um jogador incrível, que neste momento se aproxima de se tornar o melhor do mundo". "Pela forma como define e a velocidade com que executa, estamos a falar de um futebolista quase de outra galáxia. De todos os que vão estar em campo, é aquele que tem mais condições para desequilibrar o jogo."

Para Pedro Bouças, "o Bayern é provavelmente no panorama atual a equipa com mais qualidade a nível mundial na forma como constrói jogadas a partir da defesa". "O Alaba é um central com muita qualidade com bola, que dribla o adversário se for caso disso, o Thiago Alcântara baixa para inciar jogadas, o Kimich também inicia jogadas no seu corredor. É uma equipa que consegue arranjar sempre soluções para fazer a bola progredir até ao último terço", lembra.

E depois, no ataque, a qualidade é igualmente arrasadora." Porque têm o Lewandowski, o Gnabry e o Thomas Muller. É uma equipa muito forte. Na minha opinião, é capaz de ser a melhor do mundo a fazer chegar a bola ao último terço. Têm no ataque jogadores com uma qualidade incrível, e, no caso de Lewandowski, com uma capacidade de concretização notável. Do ponto de vista tático, quer em termos defensivos como ofensivos, dá-se muito bem em todos os momentos do jogo, cheia de grandes individualidades. Em termos individuais, não tem um ponto fraco. Já coletivamente, diria que é a dificuldade no controlo do espaço nas costas da defesa. O jogador-chave talvez seja Gnabry, pela velocidade e pela capacidade de finalização tremenda. Em pouco espaço pode fazer um golo", resume.

Estrelas e dois alemães nos bancos

O Estádio da Luz vai receber neste domingo uma verdadeira constelação de estrelas. Mas há alguns nomes que se destacam. Do lado do PSG, são obviamente Neymar e Mbappé, que nesta temporada marcaram 19 e 23 golos, respetivamente. E também Di María, que regressa a um estádio que bem conhece, dos tempos em que representou o Benfica antes de dar o salto para o Real Madrid, e no qual há uns anos conquistou uma Champions ao serviço dos merengues.

Pelo Bayern Munique, há um nome incontornável, o polaco Robert Lewandowski, que aos 31 anos continua uma máquina de fazer golos. Só nesta temporada apontou um total de 49 em todas as competições. E na Champions já leva 15, ou seja, se bisar na final deste domingo iguala o recorde de Cristiano Ronaldo datado de 2013-14, quando se tornou o melhor marcador de uma fase da Liga dos Campeões com 17 golos. Outro jogador que merece destaque nos bávaros é Gnabry, autor de dois golos no jogo da meia-final com o Lyon e que já leva nove nesta edição da competição.

Curiosamente, nos dois bancos vão estar dois treinadores de nacionalidade alemã. Thomas Tuchel (46 anos) do lado do PSG; Hans-Dieter Flick (55) pelo Bayern. Tuchel, que vai na sua terceira temporada ao serviço dos parisienses, de onde chegou após ter tido sucesso no B. Dortmund, foi contestado nos seus primeiros tempos no clube, sobretudo depois de um confronto com Mbappé. Mas os seus métodos conseguiram pôr fim à desconfiança de dirigentes e adeptos e tem agora pela frente o maior desafio da sua vida.

Do lado do Bayern, o homem do leme é Hans-Dieter Flick(ex-jogador, que esteve presente na final de Viena em 1987 perdida para o FC Porto), um caso digno de estudo. Começou por ser uma solução de recurso como interino, quando em novembro Nico Kovac foi despedido. Na altura, a direção do clube sondou nomes como Allegri, Wenger e Ten Hag. Mas, como a equipa começou a funcionar e os resultados a aparecer, ficou. E os números são esclarecedores - em 35 jogos, a equipa venceu 32 (apenas somou duas derrotas e um empate). E em termos de golos marcados nem se fala - 115-26. Isto além de ter conquistado o campeonato e a Taça da Alemanha.

Aliás, o Bayern Munique pode tornar-se neste domingo no melhor campeão da história da Liga dos Campeões caso vença na final o PSG. Isto porque a equipa conta por vitórias todos os dez jogos realizados até ao momento na prova, algo que nenhum outro clube conseguiu até hoje nas 65 edições da prova milionária.

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