Exército sempre quis ter helicópteros. Mas não os vai ter

Novos helicópteros vão ser geridos pela Força Aérea e serão iguais ao modelo italiano que aquele ramo das Forças Armadas vai adquirir a partir de 2019 para treino e formação.

Os helicópteros ligeiros destinados às missões do Exército, com blindagem e armados, vão ser operados e geridos pela Força Aérea, reeditando o modelo de emprego conjunto da Guerra Colonial.

Segundo diferentes fontes ouvidas pelo DN, os aparelhos vão ser adquiridos até 2022 e no quadro da revisão da Lei de Programação Militar (LPM), cuja proposta foi apreciada nesta sexta-feira no Conselho Superior de Defesa Nacional (CSDN).

O programa de helicópteros novos, que é uma das grandes prioridades da nova LPM, acabou por ser uma das razões que levaram o Exército a manifestar reservas - votando mesmo contra - à proposta consensualizada entre o governo e as chefias militares em sede de Conselho Superior Militar (CSM), reconheceu uma das fontes.

Essas reservas, explicaram várias fontes, foram mais uma tomada de posição discordante do Exército - em vez de uma oposição frontal - perante as prioridades definidas na revisão da LPM, que privilegiam a aquisição de capacidades para a Marinha e a Força Aérea nos primeiros anos de vigência do diploma (2019-2030).

Agora tornar-se-á definitivo o fim das aspirações do Exército em ter uma unidade própria de helicópteros, que justificaram a existência - durante 14 anos (2000 a 2014) e com muitos milhões de euros investidos - de um Grupo de Aviação Ligeira (renomeado em 2006 como Unidade de Aviação Ligeira) em Tancos.

Essa unidade, formalmente criada em 1991, encerrou em 2014 como resultado das fortes restrições orçamentais decorrentes do pedido de ajuda financeira e já no contexto da chamada Reforma 2020 aprovada pelo governo PSD-CDS.

O Exército chegou a receber helicópteros ligeiros EC635 - da Eurocopter - em 2002, no tempo do ministro da Defesa Paulo Portas, mas os aparelhos foram rejeitados por ainda não terem certificação militar.

O ramo previa também receber helicópteros médios NH90, no âmbito de um programa cooperativo europeu em que Portugal participava desde 2001 - em moldes semelhantes aos do desenvolvimento e produção dos aviões de transporte KC-390.

Agora, eventualmente reforçada com as tragédias dos fogos florestais em 2017 que levaram o governo a atribuir a gestão de todos os meios aéreos do Estado à Força Aérea, este ramo vai adquirir, operar e manter a frota de helicópteros militares destinados às operações aéreas e terrestres.

Ter helicópteros nas missões de paz

"É essencial para as operações de paz" ter aeronaves de asa rotativa equipadas para missões terrestres "e não estar sujeito a helicópteros de outros países" para "proteger e retirar" os soldados portugueses, enfatizou uma alta patente.

Essa noção foi reforçada, nos planos político e militar, com um episódio recente ocorrido na República Centro-Africana: um militar português ferido teve de esperar toda a noite para ser levado para Bangui porque não havia helicópteros disponíveis para o efeito.

A sorte, assumiram várias fontes, é que era um ferimento ligeiro, porque se fosse grave a demora na operação de transporte para o hospital poderia ter redundado na morte do militar.

A par da retirada de feridos, esses helicópteros destinam-se a missões de vigilância e reconhecimento aéreo dos teatros de operações, proteção de forças especiais e transporte de tropas para operações - como era comum ocorrer durante a Guerra Colonial com os Alouette III da Força Aérea e os Comandos do Exército.

Fica por saber se as questões orçamentais irão alguma vez condicionar a projeção de destacamentos de helicópteros para essas missões das unidades operacionais do Exército.

O que também está assente é que pelo menos alguns dos novos helicópteros equipados e armados para missões terrestres vão ser do modelo que a Força Aérea vai adquirir - o Koala - ao fabricante italiano Leonardo para formação e treino, informaram várias fontes.

A Força Aérea foi autorizada a adquirir cinco aparelhos, com a opção de comprar mais dois, para substituir os velhinhos Alouette III (oriundos da Guerra Colonial).

Senão todos, pelo menos um dos três helicópteros destinados a missões terrestres vai ser adquirido já neste primeiro quadriénio da LPM - ficando por clarificar se o facto de serem do modelo já em produção para a Força Aérea permitirá converter algumas dessas unidades de treino para a versão armada e blindada.

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