Aconteceu em 1972 - Universidades em pé de guerra

As universidades antecipavam a revolução que chegaria ao país dois anos mais tarde. Esse era o tema forte desta edição do DN, a 22 de outubro de 1972.

"A situação atual nas universidades de Lisboa", titulava o DN neste dia, para questionar: "Como foi possível chegar a tudo isto sem uma firme reação da massa dos estudantes e dos docentes?" E acrescentava-se que não era possível levar as cedências mais longe sem graves riscos para a universidade.

O DN elencava então uma lista de factos "provados e tristemente assinaláveis" ocorridos nos tempos mais próximos, entre os quais figuravam insultos a professores, que eram "impedidos de exercer as suas funções", agressões a alunos e seus familiares por assistirem a aulas ou exames, ataques na rua e em casa dos visados.

Entre encerramentos forçados por ordem das autoridades às instalações das associações de estudantes, apreensões e detenções, a revolta estudantil, que começara algum tempo antes, produzira a sua primeira vítima dias antes - o estudante do Instituto Superior de Economia José António Ribeiro dos Santos foram morto no dia 12, às mãos da DGS -, gerando uma imparável onda de revolta entre os estudantes.

"Não tenho hoje qualquer dúvida de que as dificuldades registadas são insolúveis no plano exclusivamente académico", reagia o secretário de Estado da Instrução e Cultura. "O objetivo único da agitação estudantil organizada é destruir os fundamentos sobre os quais assenta a organização da vida social contemporânea", concluía o professor Costa André, numa exposição televisiva sobre a situação vivida nas universidades lisboetas.

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