Premium Como mudar toda uma linha sem parar os comboios

O troço de linha férrea com maior concentração de comboios em toda a rede nacional, em plena Lisboa, está a ser totalmente renovado. A obra é feita durante a noite e os moradores não se mostram incomodados com o ruído. Eles sabem que vai ficar melhor, porque houve reuniões prévias de troca de informações. No Natal estará tudo pronto.

O caso passa-se em Marvila, uma das grandes freguesias da capital, e corre ao longo de 2,5 quilómetros pelo vale de Chelas. Já foi uma zona eminentemente rural e hoje as extensões verdes têm também prédios de habitação social, lojas de bairro, cafés, farmácias, pequenos restaurantes. Em grande destaque, e sempre com gente, há a biblioteca municipal inaugurada há dois anos, onde os moradores se cruzam para várias atividades: música, cinema, teatro, reuniões e, claro, tudo o que se relaciona com livros. "É muito mais do que uma biblioteca", diz sorridente Luís Pereira, 21 anos, servente de jardineiro, que se ligou à associação Serve the City e é facilitador comunitário no bairro dos Alfinetes.

Saímos da biblioteca para ir até à linha férrea, à passagem de nível cruzada a pé por quem ali mora ou trabalha - os carros vão dar outra volta, não atravessam. Luís confessa que tem pena de ainda não ter conseguido ver as obras noturnas, mas as visitas organizadas pela Infraestruturas de Portugal (IP) foram sempre em vésperas de trabalho e ele levanta-se às seis da manhã. Estas visitas foram fundamentais para que o ruído da obra não levantasse protestos.

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