Premium Shoplifters – o amor também se rouba

Vencedor da Palma de Ouro no último Festival de Cannes, o brilhante Shoplifters: Uma Família de Pequenos Ladrões, do japonês Hirokazu Kore-eda, estreia-se nas salas portuguesas.

Estamos no ambiente apertado de uma pequena casa, quase uma barraca, onde vivem cinco pessoas que arranjam espaço para mais uma menina recém-chegada. Temos então um pai, uma mãe, uma jovem, duas crianças e a avó, que assume a posição de matriarca. Por todo o lado há tralha empilhada e a abundância de texturas dá uma sensação de calor doméstico - que combina com o facto de, na maior parte do tempo, essas pessoas andarem de pijama e a comer noodles instantâneos para manter o estômago quente... Estes são os Shibata, como diz o subtítulo português de Shoplifters, uma família de pequenos ladrões, a viver nos subúrbios de Tóquio.

Fala-se aqui da família como lugar de intimidade ou simples estrutura social? Segundo o dicionário, é um "conjunto de pessoas com relação de parentesco que vivem juntas". E não se pode dizer que, na aparência, os Shibata não correspondam a esta módica descrição, dentro das suas características singulares. Mas o cinema de Hirokazu Kore-eda já ultrapassou há muito a abstração dos enunciados linguísticos. Pelo contrário, há uma sabedoria acumulada de filme para filme, em torno da noção de família e do questionamento dos vínculos humanos, que confere à sua nova obra um efeito de vitalidade superlativa. Por alguma razão o seu nome é um dos mais respeitados da produção japonesa contemporânea.

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