Premium Depois do Congresso e do presidente, evangélicos querem dominar a justiça no Brasil

Bolsonaro, eleito graças ao apoio de bispos e pastores, prometeu "juiz terrivelmente evangélico no Supremo". E tem mais 90 magistrados para nomear em 35 tribunais.

"O próximo juiz do Supremo Tribunal Federal vai ser terrivelmente evangélico", disse Jair Bolsonaro, na semana passada, entre améns e orações, num culto evangélico realizado em plena Câmara dos Deputados do Brasil, estado oficialmente laico desde 1890. E até 2022, quando termina o seu mandato, o atual presidente da República, eleito graças ao apoio de bispos e pastores, poderá ainda nomear mais um membro da suprema corte, além de 90 outros juízes espalhados por 35 tribunais. Os evangélicos, que já dominavam o legislativo e exerciam influência sobre o chefe do executivo, procuram agora controlar a justiça, o poder que lhes falta.

O juiz "terrivelmente evangélico" a que Bolsonaro se referia, deu o próprio a entender dias depois, é André Mendonça, atual advogado-geral da união, cargo com estatuto de ministro no seu governo. Mas a definição cairia como uma luva também em Marcelo Bretas, o mediático chefe da Operação Lava-Jato no Rio de Janeiro, que atribui ao profeta Isaías a teoria da separação de poderes. "Veja o que o profeta Isaías escreveu aproximadamente 2500 antes de Montesquieu: "Porque o Senhor é o nosso Juiz; o Senhor é o nosso legislador; o Senhor é o nosso rei; ele nos salvará (Isaías 33:22)", revelou Bretas, que é, tal como o presidente, um apaixonado por armas, no Twitter.

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A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.