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Bairro da Jamaica

A violência no Jamaica tem três versões. Do pai, da vítima e a verdadeira?

Uma zaragata entre duas raparigas transformou-se num caso polémico em que se fala de violência policial e racismo. Será assim? Há versões diferentes. E há quem no bairro chore o regresso às notícias, por maus motivos.

A calma que se vivia na tarde desta segunda-feira no Bairro da Jamaica, no Seixal, contrastava com a violência que as televisões haviam de mostrar, na Av. da Liberdade, em Lisboa, e com as imagens da ação policial que toda a gente vira, no bairro, no dia anterior. Os moradores iam deixando desejos de boa tarde quando passavam junto de Fernando Coxi - mostrando uma vizinhança educada e correta no trato.

Ou seja, exatamente o contrário do que se tinha passado pouco mais de 24 horas antes, quando a rua de terra e água a escorrer pelo chão fora palco de uma minibatalha entre moradores primeiro e depois com agentes da PSP que, chamados a intervir num dos maiores bairros ilegais do concelho, se envolveram numa cena violenta. É curioso que isto aconteça quando o bairro tem sido novamente notícia mas por boas razões. Começaram as operações de realojamento das centenas de famílias que ali vivem em edifícios que estão por acabar desde os anos 80 do século passado.

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Catarina Carvalho

Assunto poucochinho ou talvez não

Nos rankings das escolas que publicamos hoje há um número que chama especialmente a atenção: as raparigas são melhores do que os rapazes em 13 das 16 disciplinas avaliadas. Ou seja, não há nenhum problema com as raparigas. O que é um alívio - porque a avaliar pelo percurso de vida das mulheres portuguesas, poder-se-ia pensar que sim, elas têm um problema. Apenas 7% atingem lugares de topo, executivos. Apenas 12% estão em conselhos de administração de empresas cotadas em bolsa - o número cresce para uns míseros 14% em empresas do PSI20. Apenas 7,5% das presidências de câmara são mulheres.

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Adolfo Mesquita Nunes

Quando não podemos usar o argumento das trincheiras

A discussão pública das questões fraturantes (uso a expressão por comodidade; noutra oportunidade explicarei porque me parece equívoca) tende não só a ser apresentada como uma questão de progresso, como se de um lado estivesse o futuro e do outro o passado, mas também como uma questão de civilização, de ética, como se de um lado estivesse a razão e do outro a degenerescência, de tal forma que elas são analisadas quase em pacote, como se fosse inevitável ser a favor ou contra todas de uma vez. Nesse sentido, na discussão pública, elas aparecem como questões de fácil tomada de posição, por mais complexo que seja o assunto: em questões éticas, civilizacionais, quem pode ter dúvidas? Os termos dessa discussão vão ao ponto de se fazer juízos de valor sobre quem está do outro lado, ou sobre as pessoas com quem nos damos: como pode alguém dar-se com pessoas que não defendem aquilo, ou que estão contra isto? Isto vale para os dois lados e eu sou testemunha delas em várias ocasiões.