Premium Como funciona uma rede de notícias falsas em Portugal

Vários sites sediados no Canadá alojam fake news sobre a política portuguesa. Depois, vários grupos no Facebook, com milhares de membros, divulgam-nas. O criador desta operação explica-nos porquê.

Há uma série de imagens a circular rapidamente nas redes sociais. Numa delas, Catarina Martins tem um círculo desenhado à volta do pulso e uma caixa no lado esquerdo que explica uma parte da imagem que não se vê - um suposto relógio. Diz a mesma imagem que é um relógio de luxo suíço com o valor de 20,9 milhões de euros. A acusação vem em letras garrafais: "A maior fraude da política portuguesa depois de António Costa." O relógio não se vê, o preço é absurdo. A informação, propriamente dita, é "absolutamente falsa", contrapõe o BE. Mas a imagem teve 875 partilhas só da primeira vez que foi publicada no Facebook.

Outras se seguiram, como é hábito nas coisas que se tornam "virais", chegando a milhares de pessoas. A réplica nas redes sociais é a norma. A repetição faz-nos acreditar mesmo numa informação que desconfiamos ser falsa. A psicologia já estudou esse "efeito de verdade ilusória". Se ouvirmos várias vezes uma mentira, somos tentados a dar-lhe plausibilidade. E 63% dos portugueses dizem receber a sua informação nas redes sociais. Se Platão escrevesse hoje A Alegoria da Caverna, poderia chamar-se alegoria das redes.

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Ricardo Paes Mamede

Foi Centeno quem fez descer os juros?

Há dias a agência de notação Standard & Poor's (S&P) subiu o rating de Portugal, levando os juros sobre a dívida pública para os níveis mais baixos de sempre. No mesmo dia, o ministro das Finanças realçava o impacto que as melhorias do rating da República têm vindo a ter nas contas públicas nacionais. A reacção rápida de Centeno teve o propósito óbvio de associar a subida do rating e a descida dos juros às opções de finanças públicas do seu governo. Será justo fazê-lo?