Premium  "No 25 de Abril, a mãe do José escreveu para a Suíça: 'Eles cantam as canções que cantavas no duche.' Ficámos descansados"

Viúva de José Medeiros Ferreira, Maria Emília Brederode Santos recorda os seis anos que passou em Genebra, onde o marido, futuro ministro dos Negócios Estrangeiros, recebeu o estatuto de exilado político.

Numa conversa no Conselho Nacional de Educação, a que preside, a pedagoga Maria Emília Brederode Santos falou do primeiro encontro, ainda estudantes, dos amendoins que o José não chegou a receber na prisão, da expulsão de ambos de todas as universidades portuguesas mas também da solidariedade entre os exilados na Suíça e de essa sensação de ligeireza que se misturava com o medo do que podia acontecer se voltassem.

Conheceu o seu marido, José Medeiros Ferreira, em 1962, pouco antes dos protestos estudantis desse ano. Na altura estava longe de imaginar que ele ia ser preso e mais tarde exilado político.
Conheci-o nesse ano mas antes dos protestos. Conheci-o no teatro. Havia um grupo de teatro em Letras e o José entrava em cena com o sotaque muito carregado de São Miguel e dizia: " Há fogo, há fogo!" Tinha barbas à Antero de Quental. Depois houve a crise, não nos demos assim muito nessa altura. Eu tinha estado em Direito, estava mais ligada às pessoas de Direito do que às de Letras. Houve aquele momento de massas espantoso, com o reitor à mistura, com os professores a apoiarem! Depois houve um refluxo, como se dizia na altura. Foi muito mais possível haver prisões. O José foi preso logo em 1962, no final do ano. Os que ficaram no movimento foram os verdadeiros, os que acreditavam realmente, os que queriam mudar alguma coisa, mesmo sem movimento de massas.

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