Aliança de Santana nasce hoje com sede na Avenida da República

Em menos de um mês, Pedro Santana Lopes arrancou com o processo, recolheu as assinaturas necessárias e formaliza a criação do seu novo partido. A Aliança nasce hoje.

"Está tudo a correr bem, muito bem!" É assim que Pedro Santana Lopes reage à perspetiva da criação da Aliança, que nasce nesta tarde quando as 7500 assinaturas recolhidas em tempo recorde serão entregues no Tribunal Constitucional.

Depois de conseguir mais do que o número necessário para criar um partido em apenas 21 dias e em pleno agosto, a entrega das assinaturas no Tribunal Constitucional terá lugar às 16.00 e Santana Lopes não estará sozinho. Para marcar o momento, far-se-á acompanhar por "um grupo de outros requerentes" que quiseram juntar-se a ele neste momento fundamental.

Quanto ao que se segue, e ainda que guarde declarações mais concretas para esta tarde, já enquanto líder da Aliança, adianta que passará por "trabalho, muito trabalho". "É preciso muito trabalho para fazer uma coisa destas."

Entre esses trabalhos estará a tarefa de encontrar a melhor localização para as sedes do partido, que quer instalar em Lisboa e no Porto. E se esta ainda não estará fechada, mas deverá abrir numa das principais artérias da Cidade Invicta, a da capital, sabe o DN, vai nascer em plena Avenida da República.

De resto, Pedro Santana Lopes, que durante mais de 40 anos esteve profundamente ligado ao PSD, onde quase sempre foi uma voz ativa e muitas vezes incómoda - tendo liderado o partido entre 2004 e 2005, representando-o ao ser eleito presidente da Câmara da Figueira da Foz (1998-2001) e de Lisboa (2002-2004 e de novo em 2005), em ambas as vezes contra todas as expectativas, e ao sentar-se no lugar de primeiro-ministro -, sabe do que fala quando é a atividade política e partidária que está em causa e sobretudo em contextos que não lhe tornam o caminho mais fácil.

"É um processo exigente, mas conseguimos. Quero que a Aliança nasça rapidamente!", disse ao DN na semana passada, quando concluiu o processo de recolha de assinaturas e traçou o perfil do novo partido como "personalista, liberalista e solidário; europeísta, mas sem dogmas, sem sentir qualquer cartilha e que contesta a receita macroeconómica de Bruxelas".

Já à partida, parece ter garantida a vontade de Assunção Cristas de criar encontros à direita. Em entrevista ao ECO, a líder do CDS admitiu que numa época em que o voto útil passou de moda - ou deixou de ter efeitos práticos - a Aliança pode gerar um novo equilíbrio de forças à direita. "Podemos dizer às pessoas que, se acreditam em nós, podem votar em nós. Um voto no CDS é um voto para uma governação de centro-direita" e o partido de Santana Lopes "pode certamente contribuir" para engordar esses números.

Certo é que, aos 62 anos, Pedro Santana Lopes pode ter sido visto como um incómodo para algumas vertentes sociais-democratas - conforme Conceição Monteiro admitiu quando o antigo primeiro-ministro se desvinculou do PSD, "passou anos a ser maltratado dentro de portas" - mas sempre conseguiu conquistar votos além do partido. Foi dessa forma que surpreendeu o próprio PSD ao conquistar a Figueira e quatro anos depois ainda mais ao roubar Lisboa a João Soares. Com o trabalho desenvolvido nos seis anos que esteve à frente da Santa Casa da Misericórdia, é provável que esse leque se tenha alargado ainda mais.

O resultado do trabalho que hoje começa enfrenta os primeiros testes no próximo ano: para maio estão marcadas eleições europeias, em setembro/outubro Santana Lopes enfrentará as suas primeiras legislativas à frente da Aliança.

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