PSD pode viabilizar orçamentos? É possível...

Debate. Vice-presidente fala em "irresponsabilidade total" de quem no PSD quer que o partido decida orçamentos
do Estado sem os conhecer.

Rui Rio continua em pleno estado de tabu, sem esclarecer se será ou não recandidato à liderança, e entretanto, com isto, foram-se afirmando candidaturas alternativas. Luís Montenegro já há alguns dias que disse que será candidato; e ontem avançou Miguel Pinto Luz - vice-presidente da Câmara de Cascais e antigo presidente do PSD de Lisboa -, com uma mensagem colocada no YouTube: "Não é tempo para taticismos, não podemos esperar mais quatro anos. Eu, por mim, direi presente, direi que o futuro diz presente. O meu nome é Miguel Pinto Luz e sou o vosso candidato à liderança do PSD."

Assim, tirando a grande incógnita de Rui Rio, o quadro essencial das candidaturas parece estar resolvido. Jorge Moreira da Silva só avançaria se Rui Rio não o fizesse; e Paulo Rangel não está disponível em nenhuma circunstância (mas se o líder não avançar não se livrará de pressões nesse sentido). Aparentemente, o deputado Miguel Morgado, antigo assessor de Passos Coelho, diz que está a ponderar. Mas o espaço do passismo já está ocupado por Montenegro.

Fontes da direção do partido avançaram ao DN que Rui Rio já tem definida toda a componente política do seu quadro de decisão; agora o que estará em reflexão serão questões de vida pessoal, profissional e familiar. O desgaste dos últimos dois anos foi grande; e, se avançar e vencer outra vez, poderá, no mínimo, ter de aguentar até às autárquicas (outubro de 2021) ou até além disso (se o resultado for bom).

Um dirigente próximo de Rio antecipa mesmo que o presidente do PSD até já decidiu - só que não revela publicamente o teor da decisão. E até lá vigora uma das mais célebres blagues do futebol:"Prognósticos, só no fim."

Entretanto, face a tanta calmaria interna, o partido entretém-se nos tiroteios internos do costume. Na sexta-feira, o pretexto foi uma entrevista de David Justino, vice-presidente do PSD, à rádio do Observador.

O dirigente laranja - responsável pelo processo que conduziu à elaboração do programa eleitoral do PSD - disse nessa entrevista que, no Parlamento, o partido até pode viabilizar um Orçamento do Estado apresentado pelo governo de António Costa - mas será preciso que esse orçamento incorpore propostas que o PSD defende.

A "fraqueza" e a "burrice"

"Se o governo vier a adotar algumas das medidas [do PSD] e disser que vai reduzir o IVA da eletricidade, reduzir dois pontos percentuais o IRC, o PSD fica numa posição complicada. Como é que pode votar contra um conjunto de medidas e um orçamento quando ele próprio defendia estas medidas? Portanto, se o PS conseguir fazer isso, nós só temos de bater palmas, não estou a dizer em termos de aprovar o orçamento ou não, mas não é a mesma coisa que estar invariavelmente a votar contra", afirmou, considerando ainda uma "irresponsabilidade total" aquilo que, por exemplo, Luís Montenegro já fez: dizer que vota contra antes de conhecer a proposta governamental.

No Twitter, Miguel Morgado partilhou a entrevista dizendo que representa "um problema sério de fraqueza política". E David Justino respondeu: "Prefiro a aparente "fraqueza" à burrice!"

Nos comentários, um internauta fez a síntese: "Neste PSD a fraqueza e a burrice tendem a andar de mãos dadas."