Fundação Champalimaud anuncia prémio de um milhão de euros para investigação do cancro

A iniciativa foi anunciada, nesta segunda-feira, durante uma reunião do Conselho de Curadores da Fundação, que contou, pela primeira vez, com a participação da Rainha Sofia de Espanha.O prémio será entregue já a partir do próximo ano.

A Fundação Champalimaud apresentou, nesta segunda-feira, um prémio anual no valor de um milhão de euros para apoiar investigações com "grande impacto no controlo e cura do cancro". A distinção é uma parceria entre a fundação e o casal espanhol Maurizio e Charlotte Botton (família proprietária da marca Danone).

"Destina-se não a consagrar descobertas já feitas no tratamento do cancro, mas a reconhecer novas descobertas quer no tratamento, quer na investigação de tudo o que seja relacionado com o cancro", explicou o vice-presidente da Fundação Champalimaud, João Silveira Botelho, aos jornalistas. "É um prémio que se destina mais ao futuro do que ao passado, para que se dê esperança às pessoas que padecem desta doença", acrescenta, no final da reunião do Conselho de Curadores da Fundação Champalimaud, onde esteve presente, pela primeira vez, a Rainha Sofia da Espanha (que tem desenvolvidos projetos sobre doenças neurodegenerativas com a Fundação).

Este Conselho, presidido por Daniel Proença de Carvalho, é ainda constituído por Aníbal Cavaco Silva, Fernado Henrique Cradoso, António Damásio, António Coutinho, António Travassos, João Raposo Magalhães e Pedro D'Abreu Loureiro. Os curadores reunem-se para decidir sobre a orientação e o desenvolvimento da Fundação e para aprovar novos projetos, como este.

O prémio Botton Champalimaud do Cancror será entregue pela primeira vez em 2020 e vai existir, todos os anos, enquanto for necessário, ou seja, até existir uma cura para o cancro ou que seja conhecida uma forma de controlar a doença. O valor da distinção será entregue apenas a uma entidade e a escolha do vencedor não fará qualquer diferença entre ciência básica e trabalho clínico.

Esta não é a primeira parceria entre o casal e a Champalimaud. No ano passado, Maurizio e Charlotte Botton associaram-se à Fundação para criar o Centro de Investigação e Tratamento do Cancro do Pâncreas, um dos mais agressivos e com cura mais difícil. Morrem todos os anos, cerca de 330 mil doentes com esta doença. A unidade dedicada ao cancro do pâncreas está a ser construída perto do edifício da Fundação Champalimaud, no Restelo, Lisboa.

"O cancro é a doença mais ameaçadora para todos nós. Todos receamos aquela doença que não sabemos nem detetar a tempo, nem tratar como ela necessita. E por ser um desafio tão difícil, construiremos uma unidade para esse fim, que estará pronta no próximo ano. Será inaugurada a 5 de outubro de 2020 e é objeto de uma doação de Maurizio e Charlotte Botton no valor de 50 milhões de euros", disse a presidente da Fundação Champalimaud, Leonor Beleza.

Maurizio Botton é um dos 100 espanhóis mais ricos, com uma fortuna avaliada em 550 milhões de euros. De origem grega, a família de Maurizio instalou-se em Barcelona, durante a Primeira Guerra Mundial. Foi nessa altura que Isaac Carasso - o avô - fundou a empresa Danone, ainda hoje nas mãos da família.

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