Carris reforça frota com 100 autocarros - e são verdes

Transportadora vai investir 32,82 milhões de euros na compra de novos veículos, sobretudo a gás natural. O número de passageiros regressará ao nível pré-covid apenas em 2022.

A Carris vai investir 32,82 milhões de euros no reforço da frota, apostando em unidades movidas a gás natural. Contudo, apenas em 2022 a transportadora espera recuperar o número de passageiros que tinha antes da pandemia, prevê o plano de atividades e orçamento da empresa rodoviária de Lisboa.

São pelos menos 103 novos autocarros que vão chegar nos próximos meses, detalha fonte oficial da empresa ao Dinheiro Vivo. Mais de metade dos reforços (70) são autocarros standard a gás natural e permitem transportar mais de 70 passageiros.

Na lista de compras também há 25 autocarros mini, movidos a gasóleo, que vão servir, sobretudo, as carreiras de bairro. Os restantes oito veículos que vão chegar ainda neste ano resultam de encomendas de 2020 que ficaram por entregar, por causa da pandemia que entretanto assolou o país.

O plano de atividades também prevê para este ano o lançamento de concursos para a aquisição de 24 veículos articulados a gás natural - para transporte de mais de 100 passageiros - e ainda 30 autocarros elétricos.

A frota da Carris deverá contar com um total de 741 autocarros no final deste ano, mais 26 do que em 2020, refere o documento. O abate das unidades mais antigas e poluentes explica o crescimento mais reduzido do parque da transportadora - a idade média dos veículos vai cair dos 10,4 para 9,6 anos.

O reforço da oferta da Carris é apoiado por fundos europeus e supera as previsões da empresa do ano passado - em 2020, previa terminar este ano com 726 unidades. Até 2024, está prevista a compra de 325 novos autocarros, num investimento de 65,9 milhões de euros, incluindo dez veículos a hidrogénio.

Também no ano passado, a transportadora previa comprar, em 2021, 15 elétricos articulados para a responder à expansão da carreira 15E.

O atraso no prolongamento deste percurso, de Santa Apolónia ao Parque das Nações, e ainda de Algés para a Cruz Quebrada, adiou a vinda destas unidades para o final do próximo ano. Entre 2023 e 2024 também vão chegar dez elétricos históricos.

Para conduzir autocarros e elétricos serão contratados 100 tripulantes nos próximos 12 meses. Serão ainda recrutados mais 20 profissionais para outras áreas na empresa.

A Carris terminará 2021 com 2673 funcionários, depois da saída de 70 trabalhadores. Ainda assim, serão menos 16 elementos do que a empresa antecipava em 2020.

Até 2024, a empresa espera ter uma força de trabalho de 2808 pessoas.

Recuperação mais demorada

Enquanto a oferta está a ser reforçada, a procura ainda vai levar tempo a recuperar para os números pré-pandemia (a empresa tem de cumprir o limite de lotação de dois terços da capacidade).

Em 2020, foram contabilizados 83,32 milhões de passageiros com bilhete, uma redução de 36,3% face aos 134,81 milhões registados em 2019. As receitas das viagens caíram para 48,3 milhões, praticamente metade dos 90 milhões de euros.

Para compensar a redução dos passageiros, o apoio de 45 milhões de euros do Estado no ano passado - o dobro de 2019 - ajudou a segurar as contas da empresa. A receita, ainda assim, registou uma quebra para 93,3 milhões. Em 2019, tinha chegado aos 113,2 milhões de euros.

Apenas em 2022 é que a Carris espera ter mais passageiros do que no ano anterior à pandemia (134,8 milhões). Em 2021, estimam-se 128,3 milhões de utentes, para receitas totais de 110 milhões de euros; no ano seguinte, prevêem-se 141,9 milhões de utilizadores, para um encaixe financeiro de 118,9 milhões de euros.

Mas o plano de atividades e orçamento da empresa foi entregue antes do confinamento de janeiro, pelo que as previsões para este ano correm o risco de ficarem rapidamente desatualizadas.

Diogo Ferreira Nunes é jornalista do Dinheiro Vivo

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