Espanhóis, alemães e canadianos interessados em vender comboios a Portugal

CAF, Talgo, Siemens e Bombardier preparam propostas para vender um total de 22 novos comboios regionais à CP e entregá-los a partir de 2023.

Há pelo menos quatro empresas na corrida à venda de comboios a Portugal. As espanholas CAF e Talgo, os alemães da Siemens e os canadianos da Bombardier querem entrar no concurso para a CP comprar 22 novos comboios regionais - elétricos e híbridos -, que deverão chegar entre 2023 e 2026. O presidente da empresa, Carlos Gomes Nogueira, admitiu, no início do mês, que já tinha falado com os principais fabricantes de comboios antes da autorização do governo para avançar com o concurso.

"Podemos confirmar que a CAF está interessada em participar neste concurso", respondeu fonte oficial desta fabricante ao DN/Dinheiro Vivo. A empresa espanhola tem capacidade para produzir os comboios Civity, com velocidade máxima de 160 km/h, e que tanto podem funcionar com tração elétrica ou híbrida, ou seja, circulam em linhas eletrificadas e não eletrificadas.

A também espanhola Talgo está interessada em vender o modelo EMU para o mercado português, que também pode funcionar na versão elétrica e na versão híbrida até 160 km/h. É o único comboio deste segmento que tem o piso rebaixado em todo o seu comprimento, facilitando a entrada e saída de passageiros e, por isso, reduzindo o tempo de espera nas estações. A Talgo é a empresa que fornece as carruagens do serviço internacional Sud Expresso, que liga Portugal a Espanha graças a uma parceria com a Renfe.

Esta operação deverá custar 168,2 milhões de euros

A Siemens é da empresas interessadas em trabalhar com a CP a mais conhecida dos portugueses, embora ainda não o tenha assumido de forma oficial. Além de dar emprego a mais 2150 pessoas em Portugal, os alemães fabricaram, por exemplo, os comboios que estão a circular nas linhas de Sintra e da Azambuja. A multinacional apenas pode fornecer comboios regionais elétricos, os modelos Desiro e Mireo, que podem circular até 160 km/h,

A Bombardier admite também concorrer à compra de comboios da CP. A empresa canadiana diz que "está interessada não só neste concurso como em toda a atividade ferroviária em Portugal". Os comboios da Bombardier são utilizados, por exemplo, nas linhas urbanas do Porto desde 2002, através da unidade múltipla elétrica (UME) 3400.

Entre 2009 e 2010, CAF, Siemens e Bombardier foram três das quatro fabricantes que participaram no último concurso da CP para a aquisição de novo material circulante. Esta operação foi abortada, na altura, porque nenhum dos concorrentes cumpriu o caderno de encargos para a compra de 49 automotoras elétricas e de 25 unidades a gasóleo.

A CP, quase uma década depois, pretende comprar 22 comboios regionais, 12 modelos híbridos e dez modelos elétricos. Esta operação deverá custar 168,2 milhões de euros, com a comparticipação em dois terços dos fundos comunitários. O restante montante será colocado pelo Estado, através do Fundo Ambiental. Mais detalhes deste concurso serão conhecidos nas próximas semanas, com a publicação, em Diário da República, da resolução do Conselho de Ministros que aprova a primeira compra de novo material para a CP em 20 anos.

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