Premium "Em vez de pedir perdão, Portugal deveria ser grato a África"

O escritor e ex-ministro da Cultura de Cabo Verde, Mário Lúcio Sousa, escreveu um romance sobre o Tarrafal. Um relato total sobre o que centenas de presos viveram durante o anterior regime, escrito por quem em criança vivia no próprio campo.

Na primeira página do mais recente romance de Mário Lúcio Sousa, O Diabo Foi Meu Padeiro, o escritor tem a seguinte frase: "Morriam-nos, para não nos matarem, este era o segredo." O tema deste livro está bem exposto logo aí e na capa, o campo concentração do Tarrafal, onde Mário Lúcio viveu quando era criança. Pode dizer-se que é um relato literário dramático, que muitas vezes o leitor é obrigado a interromper por incapacidade emocional de continuar, este de um tempo em que o escritor que ainda estava a décadas de saber que iria registar o que via e o sítio onde morava, brincava e agora descreve num romance muito ao seu estilo.

Mário Lúcio de Sousa escreve um livro sobre um lugar onde foi feliz enquanto quase toda a gente foi infeliz, uma história que lhe era impossível contornar. Concorda que foi uma "exceção" naquela parte de Cabo Verde: "É verdade, mas para mim, em termos existenciais, no sentido de que a vida é o que nós fazemos dela, este era o livro que tinha de escrever. Se os outros fi-los por ser escritor, este é por ser humano e pelas circunstâncias que ditaram o meu destino."

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