Premium Amália. A fadista que (não) foi uma estrela de cinema

Quando percorremos a filmografia de Amália Rodrigues, encontramos sinais paradoxais: por um lado, na década de 1940, o nascimento da sua imagem icónica passou pelo cinema; por outro lado, nunca chegou a consolidar uma verdadeira carreira cinematográfica. São memórias que vale a pena conhecer e partilhar.

Estranha forma de vida... Citemos dois filmes recentes, mais ou menos marginais, com o seu quê de esotérico: Os Olhos da Minha Mãe (2016) e Convidado de Honra (2019). O primeiro, assinado por Nicolas Pesce, é um típico projeto independente dos EUA, apostado em reinventar algumas matrizes do género de terror, a começar pelo metódico tratamento das imagens a preto e branco; o segundo ilustra mais uma variação dos temas obsessivos do canadiano Atom Egoyan, cruzando a desagregação dos laços familiares com a omnipresença da tecnologia e a proliferação de mensagens por telemóvel. Que pode unir dois objetos tão diferentes e, na atual produção cinematográfica, tão solitários? Pois bem, a resposta é: Amália Rodrigues. Escutada nas respetivas bandas sonoras, a voz da fadista empresta peculiares pontuações dramáticas às atribulações das personagens.

Dir-se-ia que, cinematograficamente, Amália passou a existir menos como uma referência enraizada na nossa memória coletiva e mais como um património disperso cuja energia, dramática e simbólica, se mantém disponível para ser apropriada pelos autores mais diversos. Em boa verdade, no seu caso, a afirmação artística e a trajetória cinematográfica foram divergindo, nunca conseguindo desenhar um mapa comum.

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