Exclusivo Dracula: sem pinga de sangue

As ficções especializadas em extrair humor de anacronismos têm dois mecanismos ao seu dispor. Um é aquilo a que podemos chamar o método Astérix (visível em objectos tão diferentes como o Mason & Dixon, de Thomas Pynchon, ou a recente minissérie da Apple TV Dickinson): contrabandear as tecnologias, hábitos e referências culturais do presente para o passado remoto, de modo que um espião do Império Romano possa ter o aspecto de Sean Connery ou que George Washington possa fumar charros.

O segundo método é o reverso do primeiro e só é viável com ícones firmemente estabelecidos, cujas peculiaridades possam ser transportadas para o nosso tempo. Embora nada nele seja intrinsecamente menos propício à boa comédia, a verdade é que o segundo método (e isto pode ser apenas uma questão de gosto pessoal) costuma frequentemente degenerar no tipo de farsa superficial em que a pergunta operativa - "E se o Sherlock Holmes tivesse um telemóvel?" - perde a graça ainda antes da execução.

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