Miguel tem 25 anos e uma história igual à de tantos outros que seguiram o mesmo caminho.
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COVID-19

Da prisão à liberdade. Miguel e os primeiros dias do resto de uma nova vida

Há três anos passou para o lado de lá das grades. Há três dias para o lado de cá. Saiu sem ninguém à sua espera, só a psicóloga da Confiar. Aos 25 anos, sozinho, mas acompanhado, acredita num novo destino. Nunca imaginou que o perdão chegasse mais cedo e com o vírus maldito.

À porta da liberdade estavam alguns reclusos. Miguel não queria acreditar. A informação chegou cedo ao Estabelecimento Prisional de Sintra, "logo pela manhã de segunda-feira". "Estava a trabalhar, mas assim que acabei fui ao serviço dos guardas e soube que era um deles", conta ao DN. Não sabe explicar o que sentiu, "se calhar ansiedade", apenas que "o tal dia", "aquele em que podia agarrar de novo a liberdade", estava a chegar. Mas, afinal, não. Minutos depois tinha deixado de ser um deles. Não, não queria acreditar que tinha deixado de estar à porta da liberdade: "Já o merecia. Fiz tudo para isso." Tinham sido três anos, dia a dia a mudar o pensamento, a atitude, a traçar novas metas. "Não é fácil a prisão", admite, "e eu estava a conseguir o que queria: a liberdade, é o mais importante, mas faltava-me uma morada".

O número dele estava na lista para a porta da liberdade, mas o governo tinha definido regras e em todos os mandados emitidos pelos tribunais de execução de penas teria de constar a morada que o ia receber, aquela onde, como qualquer outro cidadão, também teria de praticar o isolamento social imposto pelo estado de emergência. E essa morada Miguel não a tinha. Sabia que quando o dia chegasse provavelmente não teria ninguém da família à espera, a vida assim o determinou, mas agora, com 25 anos, estava pronto, "preparado" para começar de novo. "Depois de saber que o meu número estava na lista não queria acreditar que não ia acontecer. Foi muita ansiedade, mas o serviço de educação batalhou por mim e à tarde soube que tinham conseguido arranjar-me uma vaga na casa da Confiar", a Associação de Fraternidade Prisional, que integra o projeto Prison Fellowship International.

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