Premium Isabel Allende: "A raiva acumulada no Chile explodiu agora e foi uma surpresa para o mundo"

Em 1939, 2 mil espanhóis fugiram de Franco para o Chile num navio requisitado pelo poeta Pablo Neruda. A escritora Isabel Allende refaz a história e conta algumas das situações vividas pelos refugiados. E explica a crise atual do Chile.

Há vários anos que Isabel Allende não vem a Portugal, mas os leitores que a descobriram no seu primeiro romance, A Casa dos Espíritos, são aos milhares - o mesmo se passou em todo o mundo a partir desse ano de 1982 - e nunca a esqueceram. Após uma carreira literária que resultou em mais de 70 milhões de exemplares traduzidos em 42 países, a escritora está a lançar Longa Pétala de Mar e falou com o DN sobre o romance que, a exemplo dos dois anteriores, trata da dramática questão dos imigrantes e dos refugiados que fogem dos seus países devido a guerras que matam homens e crianças, a violações e a abusos de mulheres e meninas - através de um facto real: a história de dois mil espanhóis que estavam no lado derrotado da Guerra Civil de Espanha e foram levados num navio para o Chile em 1939.

O título do romance é um verso de Pablo Neruda, o responsável pela contratação do navio Winnipeg, e o poeta chileno também aparece enquanto personagem do livro. Nada que não tenha irritado as feministas chilenas, pois as características pessoais do "machista" Neruda desagradaram de imediato. Isabel Allende explica porque manteve a presença de um dos mais importantes poetas do seu país natal, bem como outras razões para ter escrito um romance sobre uma realidade que também vive desde que se tornou imigrante por razões de exílio familiar, estatuto que até hoje vive por residir nos EUA.

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