Se Joacine renunciar, quem é o senhor que se segue?

Biólogo, 40 anos, nasceu e vive em Lisboa, ativista ambiental "desde sempre". Carlos Teixeira arrisca ser deputado se Joacine Katar-Moreira renunciar.

Nem uma palavra. Zero absoluto. Na sua página no Facebook, Carlos Teixeira ainda não escreveu uma única palavra sobre a crise entre a direção do Livre e a deputada única do partido, Joacine Katar-Moreira.

Não deixa de ser natural. Carlos Teixeira, 40 anos, biólogo, será o senhor que se segue na representação parlamentar do partido que Rui Tavares fundou em 2013 se Joacine renunciar ao mandato. É militante do Livre desde o início e tem um perfil académico completamente sintonizado com a prioridade à questão ambiental que o partido diz partilhar.

Em 2008 - onze anos, portanto - já assinava textos académicos alertando para os efeitos das alterações climáticas na biodiversidade. Greta Thunberg na altura não teria 10 anos. Mais recentemente, tem sido um forte adversário da decisão de fazer no Montijo um segundo aeroporto para servir a região de Lisboa. Não hesitou em qualificar de "vergonhosa" a decisão da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) de viabilizar o empreendimento.

A deputada perdeu ontem a confiança política da assembleia do partido (órgão máximo entre congressos) e o congresso do próximo fim de semana decidirá se ratifica ou não essa decisão (e tudo indica que o fará). Na sequência dessa decisão, Joacine seguirá um de dois caminhos: ou renunciar ou continuar deputada, mas agora como independente.

Do que o DN conseguiu ler na página, Teixeira ainda não se pronunciou no espaço público. Tê-lo-á feito apenas nos órgãos do partido. O biólogo integra o Grupo de Contacto - nome que o Livre dá ao seu órgão nacional de direção executiva quotidiana. Joacine também pertence ao Grupo de Contacto, mas vai sair no congresso do próximo fim de semana. Mas Carlos Teixeira não: foi reconduzido na lista. Falta ser reeleito, claro (a lista é única).

No perfil autobiográfico que assinou na página do Livre, Teixeira apresenta-se: "Sou biólogo, mestre em Biologia da Conservação (Universidade de Lisboa) e doutor em duas áreas: Ciências da Terra e da Vida (Universidade Livre de Amesterdão) e Engenharia do Ambiente (Instituto Superior Técnico). Atualmente, procuro dar o meu contributo, enquanto investigador para o futuro sustentável do nosso planeta. A minha grande prioridade é a conservação da biodiversidade e dos ecossistemas terrestres. Tenho feito também consultoria em projetos de avaliação ambiental e de melhoria da conduta ambiental das empresas."

"Para além da academia, fui sempre um ativista pelas causas ambientais, dos direitos dos animais e da cidadania participativa."

Fica-se a saber, pelo mesmo texto, que foi "sempre um ativista pelas causas ambientais, dos direitos dos animais e da cidadania participativa". Foi vice-presidente da Liga para a Proteção da Natureza (LPN), integrou a comissão executiva do European Environmental Bureau (EEB), representou as ONG de ambiente nalgumas comissões públicas e foi "membro pioneiro" da rede ELEEP - Emerging Leaders in Environmental and Energy Policy, do Atlantic Council & Ecologic Institute.

Além disso, nos últimos 15 anos participou na "discussão e na revisão de legislação diversa: nacional e europeia". "Sempre de forma voluntária, procurei representar os interesses dos cidadãos junto de governantes (de Portugal e de outros países), de comissões parlamentares, das várias instituições europeias, de instituições internacionais como a OCDE e a UICN, e de alguns fóruns internacionais."

Carlos Teixeira é fundador do Livre. Foi candidato às europeias e às legislativas em 2015 e às autárquicas em 2017. Em 2019, foi o segundo mais votado nas primárias internas para definição da lista candidata ao Parlamento, logo atrás de Joacine Katar-Moreira.

Contudo, a verdade é que, de acordo com as regras internas, para alguém poder ser candidato nas primárias do Livre (eleições abertas a militantes mas também a simpatizantes), necessita de avais de outros militantes. E Carlos Teixeira teve mais do Joacine Katar-Moreira: 60 contra 59.

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