Premium Imigrantes na agricultura a ganhar 3,45 euros à hora

Foram os rendimentos que mais cresceram no ano passado, mas fora da estatística fica a imigração no trabalho sazonal e intermediários que acabam por reter metade dos salários.

Casado, com filhos, professor do ensino secundário no Nepal, Kamal deixou tudo por um trabalho na agricultura em Portugal. Uma agência de recrutamento foi buscá-lo ao seu país. Passou alguns meses a trabalhar num aviário na Polónia. De onde apanhou um autocarro com destino às estufas de frutos vermelhos que abundam hoje no sul português. Kamal, nome fictício, veio para ganhar o salário mínimo - e reparti-lo com recrutadores, deixando ainda parte para as refeições e para pagar a cama da camarata onde dormia. No fim, sobrará metade.

A agricultura portuguesa continua a atrair, sazonalmente, imigrantes do Nepal, do Bangladesh e também muitos do Leste Europeu, como a Ucrânia ou a Bulgária. São números que ficam fora das estatísticas do INE sobre o rendimento dos trabalhadores por conta de outrem na agricultura. Os últimos dados, conhecidos neste mês, mostram que os salários agrícolas foram os que mais cresceram no ano passado entre todos os setores de atividade. Subiram 9,5%. Na região de Lisboa, o salário médio agrícola ultrapassou pela primeira vez os mil euros, aumentando 43%; no Algarve cresceu 27% e no norte aumentou 10%.

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