Premium "D. Beatriz tinha papagaios do Brasil, sedas da Índia, porcelanas, um mar de especiarias e 400 quilos de açúcar"

Entrevista a Maria Barreto Dávila. Investigadora do CHAM - Centro de Humanidades da FCSH da Universidade Nova de Lisboa diz que mãe de D. Manuel I, verdadeira mulher dos descobrimentos, merecia bem uma biografia.

Dona Beatriz, infanta de Portugal, podemos simplificar dizendo que é mãe de D. Manuel I. Além disso, que parentesco com outros monarcas tem a sua biografada?
Ela é neta do D. João I e isso vai ser muito importante. Depois é bisneta do Condestável e, em termos simbólicos, isso também é muito importante - há uma ligação à Casa de Bragança. É sobrinha do rei D. Duarte, prima de D. Afonso V, vai ser sogra, mas também é tia, de D. João II, é mãe da rainha consorte, D. Leonor de Lencastre, e finalmente vai ser a mãe de D. Manuel I. É também, e isso vai ser importante para as relações internacionais dela, tia da rainha Isabel, a Católica.

É por estas relações dinásticas que se explica que na viragem do século XV para o XVI uma mulher tenha tanta influência política?
Sim. As relações familiares são muito importantes em termos de intervenção política, sobretudo para as mulheres. Por exemplo, uma mulher na nobreza ou da família real que se case num reino estrangeiro é sempre um agente diplomático entre o seu reino de origem e o seu novo reino. Estas mulheres são treinadas para usar o seu parentesco como forma de diplomacia e de exercício de poder político.

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