Premium Haja saúde

A saúde tem sido, é e será considerada um dos bens mais valiosos de todos. De uma forma simples: quem, ao sofrer infortúnios, reveses ou azares, nunca se reconfortou com o velho "pelo menos que haja saúde"? Em termos civilizacionais, a saúde é um conceito-chave intimamente ligado ao conceito de felicidade e o acesso aos cuidados de saúde é inclusivamente indicador da sustentabilidade democrática de uma sociedade. A democracia portuguesa, na esteira do 25 de Abril, tem sabido corresponder a essa prioridade coletiva que a criação do Serviço Nacional de Saúde (SNS), de matriz ideológica universal, espelhou.

Temos sabido, com justiça, honrar e respeitar quer os criadores do SNS quer as linhas ideológicas que o orientaram. Mas honrar e respeitar a memória do SNS não será também permitir que se assegure, no presente, a continuidade realista do seu futuro? Claro que é. Se fomos capazes de defender o SNS noutras alturas, temos agora de aproveitar a nova Lei de Bases da Saúde para fechar a porta que a atual lei abre à descaracterização. É a oportunidade de tornar real uma grande, gigantesca iniciativa política e de esclarecer e melhorar a lei atual no sentido ideológico que lhe deu origem. A nova lei permite trazer o SNS para este milénio, apostando na inovação e nas adaptações tecnológicas e promovendo um paradigma de qualidade de vida mais justo e, por consequência, mais democrático. É uma lei centrada nas pessoas e orientada para o incentivo da sua participação no universo da saúde.

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