Coletes amarelos. "Macron incentivou-nos a continuar porque cedeu"

O presidente francês apelou à calma, o governo para que os coletes amarelos desistissem. Um grupo acedeu, mas os restantes dizem não desarmar e manifestam-se pelo quinto sábado seguido, num dia visto como do tudo ou nada para este protesto. Há quem proponha um referendo a novas medidas.

"O país precisa de calma, precisa de ordem, precisa de voltar ao funcionamento normal", defendeu Emmanuel Macron, em Bruxelas, onde participou no Conselho Europeu. No entanto, não é isso que se vislumbra para este sábado, no final de uma semana marcada pelo ataque terrorista em Estrasburgo, que causou quatro mortos, um ferido em morte cerebral e outros 11, alguns em estado grave.

Muitas vozes, sobretudo do partido do presidente, e do governo, pediram o fim das manifestações. "Não suporto a ideia de aplaudir hoje os nossos polícias e de amanhã alguns pensarem que ainda é útil apedrejá-los", afirmou o ministro do Interior, Christophe Castaner, na reabertura do mercado de Natal de Estrasburgo, na sexta-feira.

Os coletes amarelos sacudiram a pressão que já vinha de quinta-feira e anunciaram que o momento é para continuar nas ruas. "Este é precisamente o momento em que não devemos desistir", afirmou Eric Drouet, um dos fundadores do movimento, num vídeo no Facebook. "O que Macron fez na segunda-feira foi um apelo para continuarmos, porque está a começar a ceder e, vindo dele, é invulgar."

A exceção é do coletivo "coletes amarelos livres", vistos como mais moderados do que os restantes e que acreditam ser tempo de uma trégua. O movimento acredita que "chegou a hora do diálogo", depois de quatro sábados de protestos, os últimos três marcados por violência e tumultos, bem como pelas medidas anunciadas na segunda-feira pelo chefe do Estado.

Numa alocução ao país, Macron disse que o salário mínimo vai aumentar cem euros e que os reformados com menos de dois mil euros de pensão vão ficar isentos no aumento das contribuições para a Segurança Social.

Há quem vá para a rua com mais uma reivindicação. Pede-se agora a introdução de referendos impulsionados sob a iniciativa dos cidadãos, à imagem da Suíça, e a redução dos impostos sobre bens de primeira necessidade.

"A ideia não é impor nada a ninguém, mas sim realizar um referendo para ver se todos concordam com estes pontos", disse na quinta-feira Priscillia Ludosky, outra figura do movimento.

Polícia a postos

O sistema policial da capital será semelhante ao do sábado passado, com 8000 agentes destacados, apoiados por 14 veículos blindados, informou o comissário Michel Delpuech.

Há restrições ao trânsito e o acesso aos órgãos de soberania, como o Palácio do Eliseu ou a Assembleia Nacional, vai estar bloqueado.

Na semana passada, as manifestações reuniram cerca de 130 mil pessoas a nível nacional e ficaram marcadas pelo grau de violência e de vandalismo. Registaram-se danos materiais e confrontos entre manifestantes e polícia na capital, mas também em Bordéus e Toulouse.

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