Exclusivo "Só Salazar, Cunhal e Soares ultrapassaram a condição de anões na política portuguesa"

"Foram os militares que fizeram de Salazar, Cunhal e Soares, os grandes protagonistas do século XX" é uma das conclusões da investigação que António Barreto acaba de publicar. Afirma que a resignação dos portugueses deixou que "Salazar morresse em sossego" e a ditadura durasse tantas décadas.

Não é habitual que um único livro seja capaz de abordar três das maiores figuras políticas do século XX português, mas esse foi o desafio - ganho - de António Barreto em Três Retratos - Salazar, Cunhal, Soares. Em entrevista, o autor faz uma análise àqueles que considera o trio de protagonistas que mais se impuseram e lideraram a vida nacional ao longo de décadas e que ainda hoje se mantém no imaginário dos portugueses.

Curiosamente, qualquer um destes três políticos interferiu diretamente na vida de Barreto e a alteraram. Sobre os três recorda: "O Dr. Salazar causou-me muitos problemas porque eu não gostava do regime dele e no país em que vivíamos, tanto que com 21 anos fui refratário ao serviço militar em África e deixei Portugal. O Dr. Álvaro Cunhal, que conheci pessoalmente, foi sempre uma pessoa de forte carácter e personalidade mas muito rapidamente percebi que era uma pessoa dúplice e com dois comportamentos: afável e crispado. Era conforme as suas conveniências, e depois do 25 de Abril a luta do partido foi contra as liberdades e a democracia de uma forma muito tenaz. Eu exerci funções de governo e senti pouca estima da parte do PCP e dele próprio. Com o Dr. Mário Soares já foi diferente e é de quem, globalmente, tenho melhor impressão e considero que o seu contributo para a nossa liberdade foi muito grande. Usufruí da sua amizade, colaborei politicamente de um modo muito intenso com ele, mas também tive problemas por ter deixado de apreciar a minha forma de fazer política. Tanto que quase me designou uma persona non grata." Esta proximidade e ligação com as três figuras não o proíbe de realizar uma investigação muito crua e à qual acrescenta um balanço e o perfil de cada um ao longo de 200 páginas.

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